(Foto: Gean Cavalheiro)
Dez anos de tradição: festival de carne de onça movimenta botecos de Curitiba
Prato típico de boteco ganha roteiro gastronômico exclusivo na capital com valor promocional
Os balcões dos tradicionais botecos espalhados pelos bairros de Curitiba recebem uma maratona culinária dedicada a um dos maiores ícones da gastronomia paranaense. O evento reúne dezenas de estabelecimentos em torno de uma receita centenária que define a identidade cultural da capital.
A décima edição da iniciativa promovida pela Curitiba Honesta mobiliza moradores e visitantes até o dia quatro de outubro. Cada endereço participante comercializa a iguaria pelo valor fixo de vinte e nove reais.
A variedade de locais participantes abrange desde botecos históricos até gastropubs modernos. Os frequentadores encontram opções em bairros como Juvevê, Xaxim, Bom Retiro, Ecoville, Água Verde, Bacacheri e Batel.
A origem boleira do petisco mais famoso
A história do prato remonta às décadas de trinta e quarenta nos campos de futebol amador da cidade. O criador da receita foi Cristiano Schmidt, proprietário do extinto bar Toca do Tatu e dirigente do clube Britânia.
Após cada vitória do time, o empresário servia carne moída crua sobre fatias de broa de centeio temperada com cebola e azeite aos atletas. O goleiro Duia provou o quitute e lançou a pilhéria que batizou permanentemente a preparação.
“Você só serve essa carne aí, que nem onça come.”
A brincadeira popularizou o nome do petisco e garantiu sua permanência nos cardápios boêmios ao longo das décadas seguintes. A difusão ocorreu de maneira orgânica pelas mãos de botequins que abraçaram a identidade popular da receita.

Ingredientes tradicionais e rigor na preparação
A receita clássica exige técnica e ingredientes específicos para preservar a autenticidade do sabor curitibano. A base consiste em uma fatia generosa de broa de centeio coberta por carne bovina magra moída na hora.
O tempero leva cebola branca picada, cebolinha fresca, sal, pimenta-do-reino e azeite de oliva de boa qualidade. Os cozinheiros evitam qualquer alteração excessiva na composição para manter a fidelidade ao padrão histórico estabelecido pelos antigos boêmios.
O cuidado com a procedência dos cortes bovinos garante a segurança alimentar exigida pelos órgãos de fiscalização sanitária. As cozinhas profissionais mantêm o rigor na manipulação da carne crua durante todo o período do evento.
Reconhecimento oficial e patrimônio cultural
O trajeto da iguaria até o prestígio atual envolve conquistas institucionais expressivas no âmbito público. A Prefeitura de Curitiba oficializou o prato como patrimônio cultural imaterial da capital no ano de dois mil e dezesseis.
Anos mais tarde, o governo estadual estendeu o título de patrimônio cultural paranaense à receita tradicional. Recentemente, o INPI concedeu o selo de indicação geográfica para o quitute curitibano.
Essas certificações atestam a relevância histórica e protegem a autenticidade do preparo nos estabelecimentos credenciados pela Associação dos Amigos da Onça. O reconhecimento fortalece o orgulho cívico e atrai turistas interessados na culinária típica.
Roteiro gastronômico e participação popular
O festival conta com vinte e quatro estabelecimentos distribuídos por várias regiões urbanas. Os frequentadores encontram o petisco preparado segundo os rigorosos padrões tradicionais em endereços como o Barbaran, o Bar do Alemão, o Quintal do Monge e a rede Cana Benta.
A circulação de clientes pelos bares gera intensa movimentação nos fins de semana e nos horários de happy hour. Os proprietários registram aumento expressivo na procura pelo prato durante o período oficial do evento.
- Vinte e quatro endereços participantes em diferentes bairros da cidade.
- Preço fixo de vinte e nove reais por porção durante o festival.
- Encerramento programado para o dia quatro de outubro.
A iniciativa fomenta o movimento nos bares e estimula o turismo gastronômico regional. Os entusiastas da boa mesa aproveitam o período para revisitar locais clássicos e conhecer novas propostas culinárias na cidade.
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