(Foto: Mile Blake)
Ondas gigantes engolem praias e destroem casas na Califórnia após avanço de ciclones
Combinação de eventos climáticos no Pacífico obriga autoridades a desocupar imóveis e declarar emergência
O oceano Pacífico destruiu residências e forçou a desocupação de propriedades à beira-mar no sul da Califórnia nas últimas semanas. Em cidades costeiras como Malibu e Dana Point, as ondas abriram buracos na faixa de areia, devastaram a infraestrutura local e obrigaram as prefeituras a restringir o acesso a dezenas de áreas residenciais, atingindo inclusive os arredores da propriedade do ator Nicolas Cage.
O cenário é resultado de uma série de ciclones e furacões do Pacífico Oriental, potencializados pelo aquecimento atípico das águas provocado pelo fenômeno El Niño.
Moradores e gestores do setor de turismo já contabilizam os prejuízos diretos, com praias inteiras desaparecendo do mapa antes do início do inverno no hemisfério norte. O Ocean Way Festival, evento de grande porte programado para Santa Mônica, acabou cancelado após a força da água erodir o local destinado aos shows.
A gravidade do avanço marítimo forçou o governo estadual a declarar emergência preventiva, mobilizando equipes de resgate para evitar perdas humanas durante o pico das ressacas.
Dinâmica oceânica e a ameaça das ondas de Kelvin
O litoral californiano registra uma elevação do nível do mar entre 20 e 30 centímetros ao longo do último século. A anomalia térmica do atual El Niño adiciona uma pressão extra sobre os penhascos e diques. Michael Jacox, oceanógrafo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA, aponta que a chegada das ondas de Kelvin subaquáticas — correntes massivas e quentes que viajam pelo Equador — atinge a costa em outubro, com capacidade de elevar o nível da água em até 30 centímetros adicionais de forma abrupta.
“Tudo indica que este será um inverno bastante épico em termos de riscos potenciais. Tudo é amplificado pelas mudanças climáticas”, explicou Patrick Barnard, diretor de pesquisa do Centro de Resiliência Climática Costeira da Universidade da Califórnia.
Ciclo lunar e tempestades projetam marés extremas
Os oceanógrafos projetam o ápice do avanço marítimo para a virada do ano e início de 2027. O calendário climático coincide com as marés-reinas, marés vivas acentuadas pela fase de amplificação do ciclo nodal lunar de 18,6 anos, que aumenta a amplitude gravitacional sobre os oceanos.
A formação de “rios atmosféricos” — faixas concentradas de umidade densa na atmosfera — piora o quadro ao despejar chuvas extremas que corroem as bases de pedra das praias.
A cronologia do desastre costeiro envolve a passagem de múltiplos sistemas meteorológicos:
- Tempestades remanescentes do furacão Marie causaram erosão severa na área ao sul do píer de Santa Mônica em setembro.
- O furacão Polo, formado na costa do México, empurra atualmente mais volume e energia em forma de ondas para o norte.
- A elevação contínua das temperaturas de superfície mantém a atmosfera instável, alimentando ciclones secundários.
Impacto econômico e desaparecimento da faixa de areia
A economia de cidades dependentes do mar sofre um revés imediato com o encolhimento da costa. Em Carlsbad, município de 112 mil habitantes localizado ao norte de San Diego, a praia de Tamarack perdeu praticamente toda a sua areia em questão de dias. A cidade retira 14% de seu orçamento operacional dos impostos aplicados sobre quartos de hotel, receita agora ameaçada pela destruição de seu principal cartão-postal.
O oceano engoliu a área de lazer e invadiu o estacionamento que servia aos visitantes. Adam Young, geomorfologista do Instituto Scripps de Oceanografia, vistoriou a região e constatou que restam apenas pedras no espaço antes dominado pela faixa arenosa. Banhistas e surfistas locais disputam as poucas áreas secas que sobreviveram aos temporais da última semana.
“Espero que consigam encontrar uma solução, porque, sinceramente, acho que a Mãe Natureza vai levar tudo de volta até que eles parem com isso, certo? Está ficando claro que ela pode levar a praia inteira, se quiser, bem rapidamente”, relatou o surfista Alex Stott, após observar o avanço das rochas em Tamarack.
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Com informações de Agência Brasil
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