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Paraná gera 8 mil vagas em agosto e tem o menor desemprego desde 2012

Paraná gera 8 mil vagas e tem o menor desemprego desde 2012

(Foto: Marcello Casal Jr)

Paraná gera 8 mil vagas em agosto e tem o menor desemprego desde 2012


Ritmo acelerado do mercado esvazia fila de desocupados no estado e impulsiona massa salarial, mas empresas já relatam dificuldades crônicas na retenção de talentos

O Paraná encerrou agosto com a abertura de oito mil vagas formais, consolidando uma taxa de desemprego de 3,1% no segundo trimestre, a mais baixa apurada pelo IBGE em toda a sua série histórica iniciada em 2012. Curitiba acompanhou o movimento estadual e registrou 3,8% de desocupação, índices que traduzem na ponta um mercado de trabalho superaquecido.

O volume local reflete a rápida expansão econômica observada em todo o Brasil, que gerou 165.827 postos de trabalho no mesmo mês e viu seu índice geral de desempregados cair para a casa dos 5,3%.

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A absorção maciça de profissionais pela iniciativa privada elevou o rendimento médio do trabalhador paranaense para os R$ 4.200, apontando um aumento sólido de 6,4% frente ao ano anterior. Na prática, esse salto representa uma injeção robusta de dinheiro nas ruas, aquecendo o movimento em supermercados, shoppings e comércios de bairro.

No entanto, o cenário transfere a pressão operacional para os empresários, que agora precisam oferecer pacotes salariais mais agressivos para não perderem seus funcionários para a concorrência.

Serviços ditam o ritmo das contratações no estado

O saldo estadual de oito mil carteiras assinadas em agosto marcou um crescimento expressivo de 24% na comparação direta com o mesmo mês do ano passado, quando a economia havia gerado 6.453 vínculos. Quatro dos cinco grandes setores monitorados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados apresentaram avanço no Paraná, ancorando o desempenho do mercado regional.

O setor de serviços isolou-se na liderança absoluta com a criação de 5.076 postos. O comércio garantiu a segunda posição com 1.809 admissões líquidas, seguido pela construção civil, que matriculou 1.067 novos trabalhadores.

A indústria apresentou um desempenho tímido, com apenas 130 assinaturas, enquanto a agropecuária atuou como a única área a fechar no vermelho, cortando 73 posições em função da sazonalidade natural do período de plantio.

Raio-x nacional detalha as áreas com maior demanda

O Ministério do Trabalho e Emprego revelou que a soma federal atingiu a marca de 1,13 milhão de contratações apenas nos oito primeiros meses do ano. A abertura nacional de vagas formais subiu 7,2% em relação a agosto anterior, tracionada por segmentos muito específicos. Dentro da área de serviços, a educação dominou a geração de emprego com mais de 25 mil postos preenchidos, escoltada pela saúde humana com a efetivação de 19 mil contratos.

O detalhamento industrial mostra que a produção de alimentos continua sendo a maior empregadora do país, garantindo o saldo de 10.171 vagas em um único mês. As fábricas de veículos e a linha automotiva vieram logo atrás com três mil contratos assinados, funcionando como um termômetro da retomada do consumo de bens duráveis pelas famílias.

Na divisão geográfica, São Paulo absorveu mais de um quarto de todas as contratações brasileiras, criando 42.533 oportunidades. Na ponta oposta, características climáticas e industriais derrubaram temporariamente o balanço em três localidades.

O Rio Grande do Sul dispensou 1.611 profissionais após o ciclo do fumo, Rondônia perdeu 923 vínculos restritos à indústria alimentar e o Espírito Santo fechou 287 posições devido ao fim da safra capixaba de café.

Recorde histórico de ocupação e massa salarial inédita

Os cruzamentos da última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostram um Brasil com 103,5 milhões de pessoas atuando ativamente, um patamar sem precedentes nas medições oficiais. Esse contingente recorde impulsionou a massa salarial, que consiste na soma de tudo que os trabalhadores recebem no mês, para a cifra de R$ 385,6 bilhões.

O montante representa um avanço de mais de R$ 17 bilhões no comparativo de um ano, recurso que abastece diretamente o giro financeiro das cidades brasileiras.

A soma de carteiras assinadas e renda em ascensão aponta para os efeitos reais da mobilização de investimentos públicos e da confiança corporativa. O economista do IBGE, Elias Ricardo, pontua que a taxa de desocupação figura como o reflexo prático do fluxo de capital destinado à infraestrutura.

“Significa que nós estamos investindo em infraestrutura, nós temos empresários que estão investindo, nós temos um governo que está fazendo obras e melhorias e benfeitorias e programas que estão fazendo a economia girar pra apresentar essa taxa de desocupação boa”

O encolhimento do desemprego de longa duração

A escalada das admissões ajudou a resolver parcialmente um dos maiores passivos sociais da economia: o grupo que busca recolocação profissional há anos. No segundo trimestre deste ano, o contingente de pessoas que procurava vaga ininterruptamente há mais de dois anos recuou para 1,1 milhão. O número expõe uma queda aguda de 15% nesse segmento específico.

A movimentação sinaliza que até mesmo os perfis com maior defasagem técnica acabaram absorvidos pela urgência do comércio e da indústria geral.

Outro indicador positivo reside nos 68,5 milhões de brasileiros que hoje figuram como contribuintes regulares, estabelecendo que 66 a cada 100 profissionais em atividade possuem a segurança da Previdência Social para aposentadoria ou auxílio-doença.

A informalidade como sombra do crescimento

Apesar dos avanços robustos sob a legislação trabalhista, a informalidade continua atuando como a principal via de sobrevivência para uma fatia severa da população. O país mantém 38,8 milhões de cidadãos trabalhando em arranjos precários, sem garantias de seguro-desemprego, aviso prévio ou férias remuneradas.

A taxa de informais esbarrou em 37,5% nacionalmente e encontra espelho exato no Paraná, onde o mercado sem registro abrange 37,4% de toda a força ativa local.

As metodologias oficiais classificam como informais os trabalhadores autônomos que operam sem CNPJ ativo, bem como os profissionais subordinados que atuam como diaristas e auxiliares sem contrato assinado. Esse formato dilui o índice de desemprego aparente, mas transfere integralmente as custas de saúde ocupacional para o bolso do próprio trabalhador.

Dificuldade de contratação alimenta o fantasma da inflação

A proximidade conceitual do pleno emprego cobra adaptação imediata das estruturas de Recursos Humanos. Sem candidatos disponíveis na fila de espera, as companhias paranaenses já lidam com gargalos no atendimento e rotatividade nas linhas de montagem.

A economista Patrícia Tendolini alerta que a inflação, hoje controlada dentro da meta governamental, corre sério risco de sofrer abalos internos caso os salários subam de forma desproporcional para segurar talentos.

“O desemprego muito baixo pode gerar um problema de inflação, que significa as pessoas estão com mais renda, estão com poder de compra maior e o outro lado as empresas. As empresas podem ter dificuldade de contratação e pode acontecer também problemas na contratação principalmente em setores que exigem uma mão de obra mais qualificada”

O recado do mercado demonstra que a manutenção do desemprego na casa dos 3,1% no Paraná dependerá da capacitação técnica imediata de quem já compõe o quadro funcional. O repasse excessivo de custos das folhas de pagamento para os produtos e serviços encarece a ponta da gôndola, anulando rapidamente o poder de compra recém-adquirido pelo trabalhador.

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Paraná gera 8 mil vagas e tem o menor desemprego desde 2012
(Foto: Marcelo Camargo)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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