(Foto: Canva)
Paraná impulsiona recorde nacional de produção de leite com tecnologia e menos vacas
Municípios de Castro e Carambeí lideram ranking do IBGE que mostra aumento histórico na eficiência do setor leiteiro
O Brasil atingiu a marca inédita de 36,7 bilhões de litros de leite produzidos em 2025, e o Paraná consolidou a vice-liderança nacional ao entregar 4,8 bilhões de litros ao mercado. Os dados constam na Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgada nesta quarta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento oficial confirma o terceiro ano seguido de expansão do setor, puxado fortemente pela bacia leiteira dos Campos Gerais.
A elevação do volume produtivo chega à mesa do consumidor com a manutenção do preço médio pago ao produtor rural, estacionado em R$ 2,44 por litro. O resultado financeiro total do setor no país atingiu R$ 89,5 bilhões.
Para o estado, os números provam na prática que a injeção maciça de tecnologia nas propriedades compensa a diminuição do número de animais no pasto, garantindo a rentabilidade no campo e o abastecimento da indústria.
Campos Gerais dominam o topo do ranking
O município de Castro mantém a hegemonia absoluta no país e lidera a captação nacional com 532,8 milhões de litros. Reconhecida oficialmente por lei federal como a Capital Nacional do Leite, a cidade sustenta sua eficiência por meio de um sistema cooperativista centenário.
Logo atrás, Carambeí assegura a segunda posição entre todos os municípios brasileiros, somando 306,8 milhões de litros. O estado paranaense emplaca ainda Arapoti na oitava colocação do ranking, com 137,2 milhões de litros.
O desempenho desse polo agroindustrial faz a região Sul ostentar a maior produtividade do Brasil. Uma vaca leiteira nos estados sulistas produz, em média, 4,3 mil litros. O índice supera com folga a média do Sudeste (2,9 mil litros) e do Centro-Oeste (2 mil litros).
No quadro geral dos estados, Minas Gerais ocupa o primeiro lugar isolado, respondendo por 10,1 bilhões de litros, seguido pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul.
Gestão familiar e tecnologia transformam fazendas
O salto de produtividade paranaense ocorre pela profissionalização acelerada dentro da porteira. Na comunidade de Castrolanda, área rural de Castro, a chácara da família Wacherski ilustra a transição do modelo antigo para a pecuária de precisão. O produtor Vitalino Wacherski iniciou o negócio há mais de 40 anos com 32 vacas em lactação, extraindo 200 litros diários.
A propriedade conta hoje com 175 matrizes e entrega uma média diária de 6.900 litros. O manejo une o sistema free stall de confinamento, onde robôs empurradores de alimento garantem nutrição constante, e processos rigorosos de melhoramento genético focado na resistência a doenças como a mastite.
“Eu sou muito apaixonado pelo que faço e pelo rebanho que temos.”
A rotina da fazenda é dividida entre Vitalino e seus três filhos. Lariane cuida da sanidade e genética, Larissa responde pela higiene e ordenha mecanizada, e Marçal administra a produção de milho e azevém em 40 hectares para alimentar o gado. A produção própria de silagem reduz o impacto do custo nutricional, que representa 71,84% das despesas operacionais da propriedade.
A família adota uma política de aversão a empréstimos bancários. O crescimento da chácara, que hoje integra a rota oficial de turismo tecnológico da região, ocorre exclusivamente com recursos próprios para evitar o peso dos juros.
Menos vacas, mais produtividade
O mercado leiteiro nacional vive um cenário que parece contraditório à primeira vista. O país obteve dois recordes consecutivos de captação operando com o menor total de vacas ordenhadas desde 1979. O IBGE contabilizou 14,7 milhões de cabeças destinadas à atividade no último ano. O ápice do rebanho ocorreu em 2011, com 23,2 milhões de animais.
A explicação matemática reside no aumento real de eficiência. A produtividade nacional cresceu 5,6% em doze meses, alcançando 2.498,7 litros por vaca. Fatores climáticos favoráveis, descarte de animais de baixo rendimento e otimização das bases produtivas justificam o avanço.
A pecuária exige investimento pesado em mão de obra especializada e automação. O analista da pesquisa do IBGE, Octavio Costa de Oliveira, aponta que propriedades menores ou descapitalizadas tendem a abandonar a atividade. Suas cotas de mercado e animais de qualidade acabam absorvidos por grandes produtores com capacidade de investimento.
Desafios de caixa para os produtores
Os números confirmam um encolhimento na base de criadores no Brasil. O país somava 874.500 fazendas leiteiras em 2006. Estimativas do Centro de Inteligência do Leite apontam que esse total deve fechar 2025 na faixa de 513.000 propriedades, indicando uma queda superior a 40% em duas décadas.
“Existe um movimento de busca de ganho de escala e competitividade, o que garante um preço mais alto ao produtor.”
A avaliação de Glauco Carvalho, economista da Embrapa Gado de Leite, indica que a expansão de volume no curto prazo virá justamente dos chamados pequenos produtores que permanecem ativos. Dobrar a produção de 500 para 1.000 litros diários na mesma infraestrutura dilui custos fixos e melhora o poder de barganha junto aos laticínios.
A consultoria Labor Rural mapeia a dificuldade de escalar negócios com a taxa Selic em alta. Produtores médios correm o maior risco, pois acumulam patrimônio imobilizado elevado, mas operam sem capital de giro. O cenário ideal exige manter 82% do rebanho em lactação constante para gerar receita mensal segura, enquanto a média brasileira amarga margens próximas a 20%.
Ovos, carne e exportação batem metas
A pesquisa pecuária revelou um faturamento nacional recorde de R$ 141,2 bilhões englobando todos os segmentos da criação animal. A cadeia do leite representa 63,4% desse montante. A avicultura também apresentou saltos expressivos, com o plantel de galináceos batendo a marca inédita de 1,6 bilhão de cabeças.
As granjas brasileiras colocaram 5,7 bilhões de dúzias de ovos no mercado, crescimento de 5,7%. O ovo se consolidou como a principal proteína substituta na mesa das famílias diante da flutuação de preço da carne bovina. A indústria de massas alimentícias e o mercado de dietas ricas em proteína puxam o consumo doméstico.
O rebanho bovino total caiu pelo segundo ano seguido, estacionando em 234,3 milhões de cabeças. A cidade de São Félix do Xingu, no Pará, preserva o posto de maior concentração de gado do país, abrigando 2,7 milhões de animais.
A diminuição resulta do ciclo tradicional da pecuária, que intercalou o abate massivo de fêmeas nos anos anteriores e agora reflete na baixa taxa de reposição de bezerros. Mesmo com menos gado, a exportação de carne in natura cresceu 42,5% em faturamento, amparada pela forte demanda da China, destino de mais da metade dos embarques nacionais.
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Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
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