(Foto: Rafael Silva)
Fim de áreas de risco coloca Curitiba no World Smart City Awards
Concorrendo na categoria de habitação, projeto que transforma o extremo sul da capital paranaense disputa troféu na Espanha no mês de novembro
A Prefeitura de Curitiba disputa no dia 4 de novembro, em Barcelona, o troféu internacional do World Smart City Awards 2026. A capital concorre na categoria voltada à habitação (Housing Award) graças ao projeto do Bairro Novo do Caximba, estruturado para eliminar áreas de risco, erguer novas moradias e implementar um parque linear no extremo sul do município.
A obra é viabilizada por um financiamento de 47,6 milhões de euros da Agência Francesa de Desenvolvimento, somado a contrapartidas municipais.
Na prática, o reconhecimento internacional reflete uma mudança direta na rotina de 2.120 famílias paranaenses. Moradores que antes perdiam móveis e eletrodomésticos com as enchentes anuais agora recebem casas seguras, pavimentação, iluminação pública e rede de esgoto.
Para os residentes que já ocupavam zonas fora do risco de inundação, a intervenção garante a documentação legal e definitiva dos terrenos, encerrando décadas de insegurança jurídica.
Resgate histórico do extremo sul
O histórico da região do Caximba é marcado por forte vulnerabilidade social. Durante anos, o bairro ficou conhecido majoritariamente por abrigar o antigo aterro sanitário de Curitiba, desativado em 2010.
Com o crescimento populacional desordenado, a ocupação avançou sobre as margens e a planície de inundação dos rios Barigui e Iguaçu, criando o maior desafio habitacional e ambiental da história recente do município.
O plano atual de recuperação foi desenhado pelo Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba) e é coordenado pela Smop (Secretaria Municipal de Obras Públicas). A mobilização intersetorial reverte o estigma de área esquecida, transformando as antigas vilas irregulares no primeiro bairro inteligente focado em habitação social da capital do Paraná.
“O que antes era uma ocupação precária e desordenada está se tornando um exemplo de planejamento urbano e de execução integrada de políticas públicas, garantindo segurança e qualidade de vida para mais de duas mil famílias“, destaca Luiz Fernando Jamur, secretário municipal de Obras Públicas.
Avanço das obras e regularização fundiária
O cronograma do município já contabiliza 647 casas entregues, de um total de 1.211 unidades destinadas ao reassentamento imediato de quem vivia na faixa de preservação dos rios. Paralelamente, 909 famílias das vilas 29 de Outubro, Primeiro de Setembro, Vila Dantas e Espaço Verde não precisarão se mudar. Elas estão inseridas em um processo de Reurb-S (Regularização Fundiária Urbana de Interesse Social) executado pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab).
O sistema de regularização permite que o poder público asfalte as ruas remanescentes, instale equipamentos públicos e entregue o título de propriedade oficial de graça. O processo blinda essas famílias contra despejos e valoriza o metro quadrado da região, incorporando as vilas em definitivo à malha urbana formal do município.
Comércio protegido e renda local
As plantas das novas casas não seguiram um modelo unificado, sendo adaptadas pontualmente para preservar a microeconomia da comunidade. Durante o cadastramento inicial, assistentes sociais identificaram moradores que sobreviviam de mercearias, oficinas e pequenos comércios instalados na antiga ocupação.
Para proteger a renda desses trabalhadores, a engenharia municipal projetou e construiu unidades de uso misto. Nesses imóveis específicos, a família recebe um salão comercial estruturado no pavimento térreo, com porta de aço para a rua, e a residência no andar superior.
A medida garante que a remoção das áreas de risco impulsione, em vez de destruir, os postos de trabalho e a circulação de dinheiro no próprio bairro.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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