(Foto: Claudio Neves)
Monitoramento aponta 149 espécies de aves sobrevoando o Porto de Paranaguá
Biólogos usam aves como sentinelas ambientais na baía de Paranaguá
Nos primeiros nove meses de 2026, o Porto de Paranaguá contabilizou a presença exata de 24.941 aves sobrevoando suas áreas de atracação e reservas adjacentes. O levantamento abrange 149 espécies mapeadas pelo Programa de Monitoramento da Avifauna, gerenciado pela Portos do Paraná.
Os biólogos utilizam esses animais como biossensores naturais para atestar a saúde do ecossistema costeiro frente à intensa movimentação de navios cargueiros.
Na prática, essa vigilância ininterrupta garante que qualquer alteração mínima na qualidade da água, como um microvazamento de combustível, seja detectada imediatamente pelas mudanças de comportamento dos bandos. Para a economia paranaense, esse controle rigoroso mantém ativas as licenças ambientais internacionais do complexo.
Isso evita embargos comerciais, protege milhares de empregos diretos e garante o passaporte da autoridade portuária para representar o Brasil na COP31, marcada para o próximo mês na Turquia.
Sentinelas biológicas patrulham a costa paranaense
A contagem das aves exige expedições mensais rigorosas por terra e por mar. As equipes percorrem um longo trajeto aquático que corta as baías locais, partindo de Pontal do Sul, nas proximidades da Ilha do Mel, até as margens do município de Antonina. O objetivo central da rota é identificar flutuações populacionais bruscas que denunciem acidentes ecológicos invisíveis a olho nu.
“A comunidade de avifauna é bem diversa e serve como o que podemos chamar de sentinelas ambientais. As aves respondem muito mais rápido às alterações do ambiente do que outros grupos,” explica o biólogo Elliezer Correia, coordenador da pesquisa.
O mapeamento de 2026 consolidou os Passeriformes, que englobam as aves continentais e de mangue, como a ordem mais diversa do ecossistema portuário, com 66 espécies. Em volume total de indivíduos observados, três aves dominaram a paisagem logística do estado neste ano:
- Biguá (Nannopterum brasilianum): 8.495 indivíduos registrados, mantendo o recorde histórico do censo.
- Urubu-preto (Coragyps atratus): 1.955 observações nas áreas de entorno.
- Trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus): 1.733 aves catalogadas alimentando-se nas águas rasas.
O retorno do guará aos manguezais do estado
A costa do estado concentra a porção mais contínua e preservada de Mata Atlântica do país, tornando o estuário uma zona crítica de reprodução marinha.
O monitoramento contínuo, iniciado em 2016, atestou recentemente uma vitória expressiva para a conservação da biodiversidade local: a recuperação populacional do guará. A ave de plumagem vermelha vibrante estava praticamente desaparecida da região há uma década.
O reaparecimento gradual dessa espécie espelha os esforços de proteção dos manguezais para nidificação e o avanço da conscientização contra a caça furtiva no perímetro.
Os dados acumulados pelas equipes de biologia fundamentam a criação de novas barreiras de mitigação ambiental pelas concessionárias. Dessa forma, a infraestrutura estadual para o escoamento da safra consegue crescer sem sufocar os berçários naturais.
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Com informações de Agência de Notícias de Portos do Paraná
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