(Foto: Divulgação)
Patinetes elétricos mudam regras no trânsito de Curitiba: veja onde é proibido circular
Novas normas transferem veículos para ciclovias após aumento de acidentes e queixas de pedestres
A rotina de quem caminha pela área central de Curitiba sofreu um impacto direto com a chegada de milhares de patinetes elétricos compartilhados. O equipamento exige agora adaptação por parte dos usuários e pedestres para evitar conflitos no espaço urbano.
Para organizar o fluxo e proteger quem anda a pé, a prefeitura proibiu oficialmente a circulação desses veículos sobre as calçadas, vias rápidas e canaletas de ônibus. O trânsito desses modais fica restrito às ciclovias, ciclofaixas e ruas com limite de velocidade de até 40 km/h.
Essa mudança legal atende a uma demanda urgente de segurança viária. Nos primeiros 30 dias de operação, a empresa JET registrou mais de 80 mil viagens com sua frota azul distribuída pelo Centro, Centro Cívico e Batel. Esse volume massivo de novos equipamentos gerou consequências imediatas para a mobilidade da população. A ausência de locais demarcados para estacionamento resultou em calçadas bloqueadas e riscos físicos reais.
Acidentes acendem alerta para fiscalização na capital
O uso irrestrito do equipamento resultou em colisões recentes envolvendo pedestres. Na manhã da última terça-feira (15), uma criança de sete anos sofreu um atropelamento por um patinete elétrico na Praça Zacarias. O próprio condutor prestou o primeiro atendimento, seguido pelas equipes do Siate, que encaminharam a vítima para o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie, no bairro Bigorrilho.
As autoridades de trânsito enfrentam dificuldades para mensurar o volume exato dessas ocorrências. O Bptran não possui um filtro específico para ocorrências exclusivas com patinetes, agrupando esses sinistros em categorias mais amplas. Sem dados isolados, a elaboração de políticas de prevenção e repressão depende diretamente das denúncias da população e do monitoramento das câmeras públicas.
Obstáculos diários para pessoas com deficiência visual
O abandono dos equipamentos nas vias de pedestres prejudica severamente quem depende do piso tátil para se guiar. O Instituto Paranaense de Cegos formalizou uma denúncia na Promotoria de Defesa do Direito da Pessoa com Deficiência para cobrar providências. A região da instituição concentra muitos pedestres com deficiência visual que agora esbarram nas estruturas de metal deixadas no meio do caminho. Cadeirantes, idosos e pais com carrinhos de bebê também perdem o direito de passagem.
“A acessibilidade não pode existir apenas nos projetos, nas leis ou nos discursos. Ela precisa estar presente nas pequenas atitudes do dia a dia. Uma calçada livre não é um favor. É um direito”
O diretor da instituição, Enio Rodrigues da Rosa, reforça que o problema reside no descarte incorreto pós-uso, e não na existência do serviço. Estudantes em fase de reabilitação enfrentam retrocessos psicológicos ao esbarrarem nos veículos. Carin, aluna que viaja do Capão Raso até a sede do instituto, relata quedas constantes devido aos bloqueios repentinos no percurso. O medo da rua substitui a autonomia recém-conquistada nas aulas de mobilidade.
Detalhes do decreto municipal e blitzes educativas
O Decreto 1520 define limites técnicos rígidos para os veículos autopropelidos. Os patinetes podem atingir velocidade máxima de 32 km/h e potência de 1.000 W. A legislação dispensa o uso de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e emplacamento, mas proíbe a condução por menores de 18 anos. A Setran e a Polícia Militar respondem pela fiscalização primária das ruas.
Para reforçar essas regras, a Secretaria Municipal de Defesa e Trânsito iniciou uma série de ações de conscientização. As abordagens ocorrem em parques e espaços de grande circulação. Agentes e instrutores orientam os usuários sobre a dinâmica segura de condução, enquanto a Escola Pública de Trânsito incentiva o uso de capacetes e joelheiras.
O cronograma de orientações avança pelos bairros para descentralizar a informação e reduzir os riscos de novos acidentes. As equipes promovem atividades nos seguintes locais:
- Rua da Cidadania Cajuru (21/09).
- Rua da Cidadania Pinheirinho (22/09).
- Rua da Cidadania CIC (24/09).
- Rua da Cidadania Boqueirão (25/09).
O município busca equilibrar a adoção de tecnologias limpas com o respeito ao espaço público compartilhado. A postura individual de quem aluga o patinete define a integridade física do pedestre mais vulnerável. O sucesso desse formato de transporte depende da adesão rigorosa às leis estabelecidas e da criação de áreas específicas para o estacionamento da frota.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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