(Foto: Rafa Neddermeyer)
Governo dos EUA destina US$ 1 milhão contra o STF e AGU aciona Polícia Federal
Documentos revelam que recursos do governo de Donald Trump buscam financiar grupos opositores à Suprema Corte do Brasil
O governo dos Estados Unidos destinou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) para financiar uma campanha direta contra o Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação, publicada nesta quarta-feira (30) pelo jornal britânico The Guardian, fez a Advocacia-Geral da União (AGU) acionar imediatamente a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o caso.
A investigação foca em rastrear se o dinheiro americano já entrou no país e quem são os beneficiários exatos da operação. O episódio coloca grupos locais sob o escrutínio das autoridades de segurança brasileiras, que apuram o uso de capital externo para interferir no processo eleitoral em curso. O projeto financiado por Washington foi batizado de “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.
Pressão internacional e histórico de atritos judiciais
Os recursos saem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF) sob aprovação do Congresso americano e gestão do Departamento de Estado, atualmente comandado pelo secretário Marco Rubio. A ofensiva busca combater o que a gestão de Donald Trump classifica como excesso de atuação judicial.
A tensão entre a atual administração americana e o Judiciário brasileiro escalou expressivamente após as recentes restrições impostas a plataformas digitais estrangeiras operando no país.
A investida financeira coroa um histórico de sanções e pressões diplomáticas diretas. No ano passado, o governo Trump impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, motivado pelo lobby do deputado Eduardo Bolsonaro.
O distanciamento atingiu seu ápice e transformou a Corte no alvo principal durante o julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Agenda global de financiamento conservador
O aporte desenhado para o Brasil integra um pacote massivo de US$ 176,9 milhões distribuído em 43 projetos internacionais para projetar a agenda da Casa Branca. O Departamento de Estado declarou ao The Guardian que as ações globais visam apoiar aliados na defesa da soberania e da “autoconfiança civilizacional”.
Os jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon apontam forte influência do vice-presidente JD Vance e do assessor Stephen Miller na aprovação e destinação dessas verbas.
A maior fatia do orçamento tracionado pelo governo americano, cerca de US$ 40 milhões, beneficia a Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo. No Reino Unido, a estratégia se repete: os EUA injetaram US$ 5 milhões para apoiar campanhas contra a legislação local de segurança online, que estabelece regras rigorosas de verificação de idade para proteger crianças de conteúdos nocivos.
Soberania nacional e reação institucional
A cúpula da AGU classificou o suposto desvio de finalidade de fundos internacionais — criados originalmente para proteção de direitos humanos — como um ato grave contra a soberania do país. O órgão argumenta que o patrocínio sistemático para deslegitimar as instituições de Justiça revela uma estrutura ilegal de ingerência externa em assuntos internos do Estado.
A ordem constitucional brasileira consagra o direito à crítica, mas veda categoricamente o financiamento ou a subordinação de entidades e organizações políticas por governos de outros países. A ação movida tenta agora estancar qualquer fluxo financeiro não declarado que possa desestabilizar a independência e a não intervenção no país.
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Com informações de Agência Brasil
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