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Hotel em Foz do Iguaçu é o primeiro a receber selo de segurança para mulheres viajantes

Hotel em Foz do Iguaçu é o primeiro a receber selo de segurança para mulheres viajantes

(Foto: Divulgação)

Hotel em Foz do Iguaçu é o primeiro a receber selo de segurança para mulheres viajantes


Protocolo “Não é não” certifica primeiro estabelecimento hoteleiro na fronteira focando na proteção

Viajar sozinha exige um planejamento rigoroso que vai muito além de escolher o roteiro de passeios, passando obrigatoriamente pela garantia de segurança pessoal durante o repouso. Mulheres que escolhem Foz do Iguaçu como destino turístico agora contam com um filtro prático na hora de reservar sua hospedagem.

A Secretaria Municipal da Mulher entregou a primeira certificação oficial que atesta o preparo técnico de um estabelecimento da rede hoteleira local para acolher e proteger o público feminino.

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O reconhecimento se materializa por meio do Selo Mulheres Seguras, uma ferramenta de identificação visual e operacional recém-lançada na cidade. Ele atesta que o local adotou medidas rígidas de prevenção contra a violência e o assédio, operando sob as diretrizes do Protocolo “Não é Não”.

Consequentemente, a iniciativa transforma a percepção de acolhimento na fronteira e posiciona a rede turística paranaense a um passo à frente no quesito proteção.

Os bastidores do acolhimento turístico na fronteira

A força motriz do setor de viagens mundial tem rosto feminino, exigindo respostas rápidas do mercado hoteleiro. Dados do levantamento internacional Solo Female Travelers Club indicam que as mulheres representam uma margem expressiva, variando entre 60% e 75% do total de viajantes que exploram o mundo sem qualquer companhia. Além desse protagonismo nas rotas solo, elas comandam ou influenciam diretamente 82% de todas as decisões comerciais relacionadas a pacotes turísticos familiares ou corporativos.

Diante desse cenário prático, a infraestrutura de Foz do Iguaçu começou a adaptar suas dinâmicas internas de atendimento. O primeiro passo envolveu a imersão de cerca de 20 colaboradores do hotel recém-certificado em treinamentos operacionais específicos.

Eles passaram por palestras focadas na identificação ágil de situações de risco, desde abordagens indevidas no saguão até dinâmicas agressivas de violência doméstica que podem ocorrer a portas fechadas dentro dos quartos.

Durante a capacitação inicial, psicólogas e especialistas orientaram as equipes sobre a aplicação prática da Lei Municipal nº 5.423/2024.

Profissionais que atuam na recepção, limpeza e governança aprenderam como intervir de maneira totalmente discreta e técnica, preservando a vítima ao acionar rapidamente as forças policiais. Conhecer a rede de proteção municipal evita abordagens amadoras que costumam expor a mulher a constrangimentos adicionais.

Como funciona o selo na prática

Obter o Selo Mulheres Seguras foge completamente do conceito de mera formalidade burocrática. Os estabelecimentos de lazer, gastronomia e eventos precisam cumprir requisitos operacionais severos que serão auditáveis pela gestão municipal. O selo não funciona como um escudo cego contra todos os riscos da sociedade, mas atesta de forma contundente que o local possui protocolos de reação imediata caso qualquer coisa saia do controle.

Para ostentar a certificação, a empresa necessita comprovar a estrutura mínima exigida pela legislação em vigor. Esses critérios padronizam o atendimento em toda a rede de serviços e blindam as hóspedes contra a omissão corporativa:

  • Manutenção obrigatória de pelo menos quatro funcionários capacitados para lidar com situações de assédio sexual ou violência física.
  • Conclusão de treinamento oficial, com carga horária de 20 horas, disponibilizado de forma gratuita e online pelo município.
  • Exibição clara e acessível de informações visuais contendo os canais de denúncia para as hóspedes nas áreas comuns.
  • Acolhimento imediato e sob total sigilo da vítima em espaços reservados, garantindo o respeito ao seu relato.
  • Preservação intacta de possíveis evidências no local e auxílio direto no acionamento das guarnições da segurança pública.

Perspectivas das lideranças locais sobre a certificação

A implementação da lei altera bruscamente a maneira como gestores enxergam o conceito de hospitalidade na fronteira. A gerente geral do Nadai Confort Hotel & SPA, Karim Pan, enxerga a mudança estrutural como um diferencial competitivo de mercado que anda lado a lado com a responsabilidade civil.

É extremamente importante receber essa certificação, o primeiro hotel de Foz do Iguaçu a ter esse reconhecimento. Nós nos preocupamos muito com os nossos hóspedes. As mulheres querem viajar, querem curtir, querem ter o seu momento. E, ainda, nem todo mundo tem essa consciência de que aquela pessoa opta por estar sozinha. É aí onde o hotel entra, com a conscientização da nossa equipe para ter todo o cuidado no atendimento com as mulheres que viajam só.”

Do lado das autoridades públicas, o objetivo central passa pela expansão dessa barreira de segurança para todos os bairros e atrativos da cidade. Rafaela Zago de Mello, coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), detalha a evolução do sistema penal e a urgência de envolver a iniciativa privada na vigília.

Uma situação de assédio ou de importunação hoje cabe uma medida protetiva. Antigamente, a gente não tinha essa possibilidade. Então, esses profissionais terem esse conhecimento pode auxiliar muito nas relações de trabalho, mas também no que eles observam na relação entre hóspedes. Porque muitas vezes eles podem observar essas relações, essas situações de violência que aconteceram durante a viagem e prestar auxílio.”

O avanço contínuo do Protocolo “Não é Não” pretende expulsar a cultura da tolerância ao assédio para bem longe dos corredores turísticos paranaenses. Com as certificações individuais dos funcionários sendo obrigatoriamente renovadas a cada doze meses, a prefeitura tenta garantir que os prestadores de serviço não percam a sensibilidade de alerta com a rotina corrida.

Dessa forma, a cidade ganha musculatura técnica para receber seu volume massivo de visitantes com um padrão de resposta rápido e focado exclusivamente na integridade da vítima.

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Hotel em Foz do Iguaçu é o primeiro a receber selo de segurança para mulheres viajantes
(Foto: Divulgação PMFI)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Foz do Iguaçu


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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