(Foto: Wenderson Araujo)
Mel e leite puxam alta da pecuária no PR às vésperas de reabertura europeia
Estado se consolida como segundo maior produtor nacional e aguarda liberação de embarques após resultado positivo em auditoria
O Paraná alcançou o segundo maior valor de produção pecuária do Brasil no levantamento atual, com um faturamento de R$ 18,5 bilhões impulsionado pelas vendas de leite e mel. O resultado divulgado pelo IBGE coincide com a sinalização oficial da União Europeia para a retomada em curto prazo das importações de frango e mel paranaenses, suspensas desde o início de setembro.
A reabertura do mercado europeu garante fluxo de caixa direto para cooperativas e criadores do interior do estado. Sem o bloqueio internacional, a produção agropecuária escoa com maior facilidade e sustenta a manutenção dos postos de trabalho nas granjas e apiários, setores que lideram os índices nacionais de rentabilidade.
Auditoria técnica aprova sanidade animal
O comissário de Comércio e Segurança Econômica da União Europeia, Maroš Šefčovič, confirmou o resultado satisfatório das inspeções feitas nas plantas industriais do Brasil. Os auditores comprovaram que a cadeia produtiva local cumpre as regras do bloco e não utiliza antimicrobianos para estimular o crescimento das aves.
A decisão final depende agora da análise do comitê técnico europeu, com reuniões marcadas para os dias 20 e 21 de outubro. A suspensão dos embarques atinge a balança comercial desde 3 de setembro, quando as restrições sanitárias paralisaram temporariamente as vendas de proteínas animais.
Leite sustenta liderança e faturamento no estado
O mercado interno responde pela maior fatia da riqueza pecuária local estruturada nas propriedades rurais. A comercialização de leite gerou R$ 12,7 bilhões e concentra 77,5% de todo o valor obtido com produtos de origem animal no Paraná.
A cidade de Castro, localizada nos Campos Gerais, mantém o topo do ranking brasileiro de produção leiteira. O município registra uma produtividade superior a 10 mil litros por vaca ao ano, volume quatro vezes maior que a média do país, injetando R$ 1,5 bilhão na economia local. Na mesma frente de desenvolvimento, Pitanga também aparece entre os maiores produtores, reforçando o desempenho da bacia leiteira na região Centro-Sul.
Mel paranaense supera média de preços
A apicultura estadual apresenta o maior rendimento financeiro do Brasil, somando R$ 217,7 milhões no balanço mais recente do setor. O Rio Grande do Sul ultrapassou o volume físico produzido, mas o produtor paranaense conseguiu agregar mais valor comercial ao produto no momento do envase e da venda.
O quilo do mel fabricado no estado custou em média R$ 20,34, preço 19% superior ao praticado no restante do país. Cidades como Arapoti e Ortigueira figuram nas primeiras posições nacionais de faturamento com a atividade. Municípios como Bituruna e Prudentópolis também integram a lista dos dez maiores mercados apícolas do território nacional.
Liderança nacional em galináceos, tilápia e bicho-da-seda
O domínio paranaense vai além do pasto e se consolida nos aviários, tanques escavados e lavouras de amoreiras. O estado sustenta a primeira posição do país na criação de galináceos, estrutura impulsionada pelo forte cooperativismo agroindustrial. Na aquicultura, o setor gerou R$ 2,1 bilhões no último ano, montante que representa 16,2% de todo o mercado nacional.
Esse desempenho na água é alavancado pela criação de tilápia, que transformou a região Oeste do estado na principal referência da piscicultura brasileira.
A diversificação produtiva inclui ainda a criação do bicho-da-seda. A venda de casulos responde por 0,2% do valor da produção de origem animal local, fatia que mantém o Paraná como o maior produtor e fornecedor para a indústria têxtil sericícola do Brasil.
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