(Foto: Mariane Felix da Rocha)
Novas Unidades de Conservação no PR garantem segurança hídrica em 7 cidades
Cinco novas unidades de conservação vão proteger espécies ameaçadas e garantir a segurança hídrica em sete cidades paranaenses
Imagine abrir a torneira da sua casa e ter a certeza de que a água potável continuará fluindo pelas próximas décadas, ou respirar um ar menos poluído durante os meses de seca severa. Embora pareçam questões distantes da administração pública, esses são os resultados diretos da criação de novas reservas florestais.
Com a iminente oficialização de cinco novas Unidades de Conservação (UCs) pelo Instituto Água e Terra (IAT), o governo paranaense vai isolar do desmatamento um território de 13 mil hectares de vegetação nativa — um espaço verde de tamanho idêntico a toda a zona urbana do município de Londrina.
Na prática, a preservação dessas áreas atua como uma barreira natural contra mudanças climáticas extremas. Florestas densas regulam o regime local de chuvas, evitam enchentes nas cidades ao redor, purificam os lençóis freáticos e garantem a sobrevivência de abelhas e outros polinizadores que são fundamentais para a produção de alimentos nas lavouras de todo o estado.
Indenização histórica e o avanço da agenda verde no país
A relevância dessa expansão para o território estadual ultrapassa as fronteiras do Paraná e coloca o Brasil mais próximo de cumprir seus complexos acordos diplomáticos. Ao oficializar essas restrições de exploração, o estado impulsiona ativamente as metas do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal.
Esse tratado internacional, assumido pelo Brasil em 2024, exige a “Meta 30×30”, que consiste em proteger formalmente 30% de todos os biomas brasileiros até o fim desta década. O cumprimento rigoroso dessas metas atrai investimentos estrangeiros e facilita a captação de fundos verdes voltados para o agronegócio sustentável da região Sul.
Para compreender o formato dessas novas demarcações, é necessário voltar ao ano 2000, quando foi sancionado o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), legislação federal que rege as diretrizes de proteção do solo brasileiro. Curiosamente, foi exatamente naquele mesmo ano de 2000 que o Paraná sofreu um de seus piores desastres ambientais: o vazamento massivo de petróleo na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no município de Araucária.
Hoje, de forma simbólica, parte expressiva dos recursos provenientes da indenização paga pela Petrobras por esse desastre está financiando a implantação de uma dessas reservas, transformando a resposta a uma tragédia do passado em um legado permanente para a flora e fauna nativas.
O papel dos moradores nas decisões ambientais
Diferente do que muitos acreditam, a criação de uma reserva não significa o confisco ou a expulsão imediata dos proprietários locais. Grande parte dos novos projetos se enquadra em áreas de uso sustentável. Isso determina que as propriedades privadas e as atividades produtivas já consolidadas sejam mantidas, desde que os moradores passem a respeitar regras claras de convivência e exploração não predatória da natureza.
Para garantir que não haja imposições prejudiciais aos nativos, o IAT realiza atualmente a fase de Consultas Livres Prévias e Informadas, obedecendo às diretrizes da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Esse mecanismo internacional garante que indígenas, pescadores artesanais e pequenos agricultores tenham voz ativa antes do fechamento das fronteiras ecológicas.
“Todos estes dados subsidiam o estudo para a apresentação da proposta. É um momento de escuta e de troca de informações, para entender os anseios da população local e buscar adequar a proposta da Unidade de Conservação com a realidade de quem mora na região.” — Patricia Calderari, gerente de Biodiversidade do IAT.
Essas audiências públicas são cruciais para que o desenvolvimento aconteça de forma integrada, transformando antigas áreas de risco em polos potencias de pesquisa científica e turismo limpo.
Mapa da preservação: onde ficam as novas unidades
O mapeamento das novas reservas engloba sete municípios, selecionados de forma estratégica pelas suas riquezas hídricas e pela extrema vulnerabilidade de suas matas e animais silvestres.
“Com essas novas UCs, o IAT continua na prerrogativa de tornar o Paraná o estado que mais preserva o meio ambiente. Essas áreas são extremamente importantes, principalmente por abrigarem espécies que só habitam naqueles locais e jamais serão desmatadas ou degradadas.” — José Volnei Bisognin, diretor-presidente do IAT.
Confira os locais exatos contemplados pelos estudos e a finalidade de cada perímetro:
Monos de Castro (Castro): Com 6,2 mil hectares na região dos Campos Gerais, tem o foco principal na salvação do muriqui-do-sul (mono-carvoeiro), o maior primata das Américas, que hoje está criticamente ameaçado de extinção. A fase de consulta pública desta área já foi finalizada.
Monos de Cerro Azul (Cerro Azul): Abrange 5 mil hectares na Região Metropolitana de Curitiba. Financiada pelos fundos de indenização da Repar, a área garantirá a sobrevivência de fragmentos valiosos da Mata de Araucárias (Floresta Ombrófila Mista).
Maciel (Pontal do Paraná): Com 1.685 hectares no Litoral, esta reserva tem a missão de blindar a bacia do rio Maciel, extensas áreas de restinga, manguezais e os recursos vitais de subsistência para povos indígenas e comunidades pesqueiras.
Tia Chica (Pinhão, Reserva do Iguaçu e Foz do Jordão): Um perímetro unificado de 413 hectares no Centro-Sul focado em proteger formações de alta beleza cênica situadas ao redor de uma imponente cachoeira no Rio Jordão.
Núcleo Cercado (Palmeira): Localizada na beira da Escarpa Devoniana, isolará 174 hectares repletos de cavernas profundas, grutas e campos nativos atravessados pela bacia do Rio Açungui.
O que você precisa saber em resumo
- O Paraná vai oficializar cinco novas reservas ecológicas que, somadas, chegam a 13 mil hectares (tamanho idêntico à área urbana de Londrina).
- Esses espaços garantem proteção climática, pureza nas nascentes de rios essenciais e servem de refúgio definitivo para animais próximos da extinção, como o primata mono-carvoeiro.
- A iniciativa é parcialmente custeada por fundos de antigas infrações ambientais (como o vazamento da Repar) e alavanca as metas de preservação do Brasil frente a organizações internacionais.

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
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