(Foto: Divulgação PCPR)
Operação no Paraná mira quadrilha que furtou 2 mil cabeças de gado
Ação da PCPR e PM cumpre 64 mandados contra grupo que causou rombo de R$ 10 milhões no Noroeste do estado
Produtores rurais do Noroeste do Paraná acumulam um prejuízo superior a R$ 10 milhões nos últimos cinco anos devido a um esquema sistemático de subtração de animais. Mais de 2 mil cabeças de gado desapareceram das propriedades da região desde 2019, motivando o registro de 340 boletins de ocorrência. Para estancar a criminalidade nas fazendas, uma força-tarefa estadual deflagrou hoje uma ofensiva massiva contra os suspeitos.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) e a Polícia Militar do Paraná (PMPR) colocaram 210 agentes nas ruas logo nas primeiras horas da manhã. As equipes cumprem simultaneamente 64 mandados judiciais, divididos em 17 prisões preventivas e 47 ordens de busca e apreensão. O cerco policial bloqueia rotas e endereços em 16 municípios paranaenses.
As viaturas percorrem alvos localizados em Alto Paraná, Paranacity, Cruzeiro do Sul, Colorado, Itaguajé, Uniflor, Nova Esperança, Astorga, Jaguapitã, São João do Caiuá, São Jorge do Ivaí, São Geraldo, Luiziana, Campo Mourão, Araruna e Roncador. Helicópteros e cães farejadores das forças de segurança dão suporte aéreo e terrestre para inspecionar galpões e evitar a fuga dos investigados.
Estrutura da quadrilha envolvia fraudes e lavagem em leilões
O ponto de virada para desmantelar a organização surgiu em 13 de agosto de 2025. Na data, ladrões levaram 29 bovinos de uma única fazenda em Alto Paraná. Os investigadores puxaram essa linha e mapearam, ao longo de dez meses de trabalho de inteligência, uma rede criminosa composta por aproximadamente 40 pessoas com funções estritamente definidas.
Cada membro do grupo executava um papel específico na engrenagem. Uma equipe fazia o reconhecimento prévio das propriedades, enquanto outra realizava a invasão e o embarque dos animais durante a noite. Na sequência, motoristas garantiam o transporte rápido e a logística de ocultação do rebanho em áreas de transição.
A etapa final do crime ocorria no âmbito burocrático. Os suspeitos falsificavam documentos sanitários para dar aparência legal aos lotes furtados. Com a papelada adulterada e inserida em sistemas oficiais, o gado seguia para receptadores finais ou acabava vendido abertamente em leilões, mascarando a origem ilícita dos lucros.
Mais de 340 ocorrências policiais acumuladas
O rastro deixado pela quadrilha evidencia a escala estruturada do crime. O levantamento da inteligência cruzou dados de dezenas de delegacias e apontou o envolvimento direto dos alvos na movimentação clandestina das duas milhares de cabeças de gado.
O delegado da PCPR, João Lucas Vieira Caetano, detalhou a proporção financeira suportada pelas vítimas:
“Verificamos que as ações criminosas remontam ao ano de 2019 e envolveriam o furto de mais de 2 mil cabeças de gado, com prejuízo estimado em mais de R$ 10 milhões apenas em parte da região Noroeste do Estado, locais em que foram registrados mais de 340 boletins de ocorrência nos últimos anos.”
Com a execução da operação policial e a extração de dados dos equipamentos apreendidos, os detidos enfrentarão acusações severas. A ofensiva, que recebeu parecer favorável do Ministério Público e autorização do Poder Judiciário, abrange múltiplos delitos.
Os alvos da operação devem responder pelos seguintes crimes:
- Organização criminosa e furto qualificado de animais;
- Receptação e inserção de dados falsos em sistema de informações;
- Corrupção ativa e passiva;
- Adulteração de sinal identificador de veículos;
- Crimes contra a saúde pública.
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Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná
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