(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom)
Disputa pelo Senado no Paraná: perfis e propostas dos 9 candidatos
Duas vagas no Congresso Nacional alteram o equilíbrio político do estado pelos próximos oito anos
A escolha de dois senadores em 4 de outubro de 2026 redefine a força política dos 399 municípios do estado em Brasília. Cada eleitor paranaense terá o poder de digitar dois votos diferentes na urna eletrônica para preencher mandatos com duração até 2035. Os novos parlamentares vão deliberar sobre verbas federais de infraestrutura, reformas tributárias e sabatinas de ministros.
O pleito renova dois terços da representação paranaense no Senado Federal. As vagas em disputa pertencem a Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, que anunciaram aposentadoria da vida pública ao fim deste ciclo. O senador Sergio Moro tem mandato até 2031, mas concorre ao governo estadual e abrirá uma terceira vacância caso vença o pleito para o Palácio Iguaçu.
A recente desistência do ex-governador Álvaro Dias abriu espaço para novas alianças e reconfigurou as estratégias partidárias. O eleitorado encontra dez nomes homologados em convenções, reunindo desde lideranças consolidadas no interior até ativistas de movimentos populares. A seguir, o perfil biográfico, as articulações e as propostas centrais de cada concorrente revelam os projetos em disputa pelo voto paranaense.

Alexandre Curi (Republicanos)
Natural de Curitiba, Alexandre Curi construiu sua base eleitoral a partir da tradição política familiar como neto do ex-deputado Aníbal Khury. Ele iniciou a carreira institucional aos 20 anos como vereador da capital e conquistou seis mandatos consecutivos como deputado estadual. Atualmente, preside a Assembleia Legislativa do Paraná e lidera a articulação direta com centenas de prefeituras e câmaras municipais.
O parlamentar ingressou na disputa ao Senado após declinar da corrida ao governo estadual, compondo a chapa governista apoiada pelo Palácio Iguaçu. Sua plataforma prioriza a canalização de investimentos federais para obras viárias municipais e projetos de saneamento no interior. Durante entrevista à imprensa estadual, defendeu o fim da jornada 6×1 mediante socorro financeiro às empresas.
“Eu defendo os trabalhadores, defendo a redução da jornada de trabalho. Acabei de dizer: 30% dos brasileiros estão no nível de estresse altíssimo e esse convívio com a família é importante, mas não podemos, meses depois, gerar uma onda de demissão […] Se não houver uma compensação tributária nos impostos. Vai ter que demitir um funcionário a mais, então tem que ter muita responsabilidade nesse debate.”

Cristina Graeml (PSD)
A jornalista curitibana Cristina Graeml ganhou projeção eleitoral expressiva em 2024 ao disputar o segundo turno da eleição para a Prefeitura de Curitiba. Após passagens recentes por outras siglas, filiou-se ao PSD para concorrer a uma das vagas ao parlamento federal. Sua campanha mobiliza o eleitorado conservador com forte presença nas redes digitais e discursos focados em valores familiares e liberdades civis.
O principal objetivo estratégico da candidata consiste em expandir para as regiões Oeste e Norte a votação expressiva que alcançou na capital. Ao responder sobre o uso de R$ 3,5 milhões de recursos públicos em sua estrutura de viagens, justificou a exigência logística da disputa, mas reiterou o compromisso de extinguir a verba partidária obrigatória.
“Hoje eu estou disputando uma campanha para Senado e eu preciso estar no interior do estado. Tem custo para ir para o interior do estado e eu não tenho quem banque isso se não for pelas regras atuais. Todos os candidatos estão usando. A gente quer mudar a regra. A gente precisa seguir a regra atual, participar do jogo, se eleger, ir lá e propor a mudança. Contem comigo para acabar com o fundo eleitoral.”

Deltan Dallagnol (Novo)
Nascido em Pato Branco, o advogado Deltan Dallagnol chefiou a força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal durante sete anos. Em 2022, alcançou a maior votação do estado para a Câmara dos Deputados, somando 344 mil votos. No entanto, teve o mandato cassado no ano seguinte por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.
O ex-procurador concorre filiado ao partido Novo na chapa que apoia Sergio Moro ao governo estadual. A validação definitiva de sua candidatura depende do julgamento de recursos jurídicos no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. Em sabatina pública, assegurou a legalidade de sua participação e colocou o combate à corrupção como eixo central de sua atuação.
“Eu estou aqui porque a lei assim determina, porque a lei tem que valer no Brasil. Quando eu olho para a Constituição, olho para a lei, eu estou sim elegível. A questão que levantaram lá atrás para indeferir o meu registro de candidatura em 2023 não se sustenta mais.”

Doutor Rosinha (PT)
Florisvaldo Fier, conhecido como Doutor Rosinha, nasceu no município de Rolândia e iniciou sua vida profissional como trabalhador rural antes de se graduar em medicina pediátrica. Ele integrou a fundação do Partido dos Trabalhadores no Paraná e atuou durante anos em postos de saúde de bairros periféricos. Ao longo de três décadas públicas, acumulou mandatos na vereança de Curitiba, no legislativo paranaense e por quatro legislaturas na Câmara dos Deputados.
O médico também exerceu a presidência do Parlamento do Mercosul e atua na aliança que reúne partidos do campo progressista. Suas propostas concentram recursos no fortalecimento da saúde pública preventiva e no endurecimento das leis de proteção social. O postulante defende punições mais rigorosas para agressões contra minorias e mulheres.
“Isso é extremamente importante. Como fazer o enfrentamento à violência doméstica e o feminicídio. Lutarei contra a homofobia, contra o machismo e contra o racismo. Também é importante falar de segurança pública. Está tramitando no Senado uma PEC que faz com que o sistema de segurança pública seja único, como é o SUS, e criando o Ministério da Segurança Pública.”

Filipe Barros (PL)
Advogado formado pela Universidade Estadual de Londrina, Filipe Barros tem 34 anos e iniciou a trajetória política em movimentos estudantis de Londrina. Em 2016, venceu a eleição para a câmara municipal de sua cidade natal e conquistou mandatos sucessivos de deputado federal em 2018 e 2022. Ele atua como uma das principais vozes da bancada conservadora ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Barros divide o palanque eleitoral com Deltan Dallagnol na coligação alinhada a Sergio Moro. O deputado sustenta suas prioridades de mandato na ampliação das penalidades do Código Penal e no fortalecimento do policiamento ostensivo. Sua proposta mais enfática visa o endurecimento da custódia para condenados por crimes letais contra a vida.
“Defendo dois pontos. Primeiro, a prevenção e fortalecimento da família, a conscientização por meio da educação e das escolas. Segundo ponto é de aumentar a pena para quem comete feminicídio. É inadmissível um homem praticar um crime contra uma mulher e, aqui no Paraná, quem cometer vai para presídio de segurança máxima.”

Gleisi Hoffmann (PT)
A advogada curitibana Gleisi Hoffmann tenta reconquistar a vaga que ocupou na câmara alta entre 2011 e 2019. Sua trajetória administrativa inclui secretarias em Londrina, a diretoria financeira da Itaipu Binacional e o comando do Ministério da Casa Civil. Presidiu o PT nacional durante oito anos consecutivos e chefiou a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
A deputada federal integra a frente de oposição que apoia Requião Filho na disputa pelo governo do estado. Em sabatinas eleitorais, destacou a necessidade de equilíbrio federativo e a ampliação de investimentos sociais da União no território paranaense. A candidata também defendeu o papel fiscalizador do Senado Federal sobre os membros da mais alta corte do país.
“Eu não vejo problema nenhum em fazer o impeachment e o julgamento de ministro do Supremo. Até porque isso é função do Senado. Está no nosso regimento interno que é função do Senado julgar e processar ministros do Supremo, dos tribunais superiores e o presidente da República. Então, tendo um processo instaurado, eu tenho clareza e tranquilidade para sentar, discutir e julgar. Para mim, isso não é nenhum problema, nenhum tabu. Se tiver crime, tem que ter.”

Joaquim do MLB (Unidade Popular)
Aos 78 anos, o ativista comunitário Joaquim Maciel representa as bases urbanas da Unidade Popular na corrida ao Congresso. Nascido na Bahia e radicado no Paraná, acumula experiência no trabalho de cooperativas de reciclagem e na liderança do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. O movimento ganhou visibilidade nacional por ocupações de armazéns e supermercados destinadas à distribuição solidária de alimentos.
A candidatura compõe chapa própria liderada por Tayná Miessa ao governo estadual. Seu projeto parlamentar estabelece a garantia do direito à moradia como eixo central de desenvolvimento econômico. Durante manifestação pública, defendeu a extinção das ações policiais truculentas em áreas com disputas de posse imobiliária.
“Não tem motivo de usar a força policial e vir com violência para fazer uma desocupação. A gente é capaz de dialogar também conversar e achar formas diferentes, sem turbulência, sem violência.”

Karen Guerreiro (Missão)
A comunicadora e jornalista Karen Guerreiro disputa a cadeira senatorial pelo partido Missão, legenda conectada aos quadros do Movimento Brasil Livre. Graduada em Artes, atuou no suporte a famílias vulneráveis e no ativismo independente pela proteção de animais domésticos. A legenda optou por lançar uma nominata autônoma no estado, sem coligação com os grandes blocos partidários.
A candidata estrutura suas pautas de campanha nos problemas logísticos da saúde pública no interior do Paraná. Ela propõe a criação de incentivos orçamentários para atrair médicos especialistas até pequenos municípios, eliminando o tráfego arriscado de ambulâncias nas estradas.
“Levar também saúde e especialistas para o interior. Eu vim de uma cidade do interior, onde as pessoas têm que viajar 10 km para consultar com especialista comum. Isso não pode acontecer, aumenta o fluxo nas estradas. Acidente o risco é enorme. Então nós precisamos levar. Nós precisamos levar mais desenvolvimento para o interior.”

Marcelo Marcelino (PCO)
Formado em Ciências Econômicas e Sociologia pela Universidade Federal do Paraná, Marcelo Marcelino atua como pesquisador das estruturas de riqueza econômica nacional. Ele colabora como colunista da imprensa partidária e coordenou durante oito anos o núcleo regional da Auditoria Cidadã da Dívida Pública. O candidato representa uma plataforma socialista de oposição total à ordem liberal de mercado.
Seu programa de governo prega a revisão de todas as concessões de serviços públicos realizadas recentemente pelo estado. O postulante cobra o cancelamento imediato dos modelos de privatização e exige a reestatização integral de companhias de infraestrutura fundamentais para a economia dos paranaenses.
“No caso do exemplo da Copel, questão da Sanepar, que está quase privatizada por completo. Nós temos que trazer a Sanepar para nós de novo, para o povo brasileiro. Petrobras, o Banco do Brasil, que são companhias de economia mista, têm que ser voltadas para o Estado brasileiro.”
O impacto da votação dupla e a nova representação do Paraná
A eleição para o Senado exige do cidadão atenção redobrada no momento da votação em urna eletrônica. Como cada estado renova duas cadeiras, o eleitor precisa escolher dois candidatos de legendas diferentes ou do mesmo partido. A votação repetida no mesmo número invalida o segundo sufrágio, desperdiçando a chance de compor plenamente a bancada paranaense.
A distribuição de forças nas urnas definirá o peso do estado em votações estratégicas sobre incentivos fiscais e obras do agronegócio. Os vencedores atuarão a partir de fevereiro de 2027, herdando o papel de equilibrar demandas entre as metrópoles industrializadas e as comunidades agrícolas do interior. O resultado das urnas apontará qual projeto de representação regional prevalecerá nos debates da capital federal.
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