(Foto: Divulgação AEN)
Promessa do tênis: conheça a atleta do Paraná que vai disputar Roland Garros
Eduarda Gomes supera as limitações geográficas do esporte de alto rendimento, bate recorde em torneio classificatório e consolida a força da nova geração do estado no cenário internacional.
Para a grande maioria dos adolescentes de 13 anos, a maior preocupação de maio é a rotina escolar e as provas do semestre. Para Eduarda Gomes, carinhosamente conhecida como Duda, o final deste mês marca o embarque para Paris, na França, onde ela dividirá os mesmos corredores e quadras de saibro com a elite global do esporte.
A jovem, natural de Palmas, no Sudoeste do Paraná, conquistou uma vaga raríssima no Roland Garros Juvenil e, logo na sequência, em julho de 2026, competirá na grama sagrada de Wimbledon, em Londres.
A classificação não é apenas uma vitória pessoal de uma jovem atleta; é a prova viva de que o talento, aliado a uma base familiar sólida e planejamento estratégico, consegue romper as barreiras dos grandes centros esportivos. Duda faturou a vaga após ser campeã do Roland Garros Junior Series, em São Paulo, tornando-se a vencedora mais nova da história do torneio.
O peso e a glória de representar o interior em palcos globais
A jornada de um tenista rumo ao circuito internacional costuma ser forjada em academias de ponta, geralmente localizadas em capitais. A trajetória de Eduarda, contudo, começou de forma recreativa aos sete anos, impulsionada pelo amor ao esporte que já existia na família — seu tio, avô e mãe já empunhavam raquetes.
Porém, transformar um passatempo em uma carreira de alto rendimento no interior do Paraná exige sacrifícios práticos. O nível de exigência forçou a família a cair na estrada. Segundo Sullevan Alves Bueno, pai e treinador da jovem, a temporada passada acumulou cerca de 40 semanas em viagens para buscar torneios e adversários de nível mais forte. A rotina exigiu a adaptação dos estudos e uma disciplina tática rigorosa.
“Foi uma surpresa. A nossa expectativa maior era vencer a Copa Cosat, que é para atletas de até 14 anos. O Roland Garros Junior Series, que vai até 17 anos, não era algo que a gente esperava que ela pudesse ganhar nesse ano pelo menos. Então foi uma grata surpresa que apareceu para nós”, afirma Sullevan Alves Bueno.
Essa quilometragem pelas estradas sul-americanas agora se transforma em milhas internacionais. Durante cerca de um mês na Europa, Duda terá o maior desafio esportivo e emocional de sua vida, acompanhando de perto grandes ídolos, como o espanhol Carlos Alcaraz, que ela admira desde as primeiras partidas assistidas pela televisão.
O Paraná consolidado como potência no desenvolvimento de jovens talentos
O feito de Eduarda traz luz a um cenário esportivo vibrante e altamente estruturado que vem se formando no estado. Longe de ser um caso isolado e fortuito, a ascensão de atletas fora do eixo Rio-São Paulo reflete o amadurecimento das federações locais e das políticas de incentivo.
Hoje, o Paraná é reconhecido nacionalmente como um verdadeiro celeiro de talentos do tênis. A Federação Paranaense de Tênis (FPT) organiza um calendário contínuo de competições pulverizadas por diversas regiões, acelerando a evolução técnica de quem está na base. Esse ambiente competitivo interno evita que os jovens precisem sair do estado cedo demais para buscar nível técnico.
“Com essa organização toda, o Paraná realmente vai sempre ter uma equipe muito forte. A Federação Paranaense fomenta o tênis infantojuvenil com torneios em todo o Estado, reúne os melhores atletas e cria um ambiente que ajuda no desenvolvimento. Dá para perceber que o Paraná se tornou um celeiro muito forte para formar atletas”, destaca Roland Santos, treinador com cinco décadas de experiência e passagem por atletas top 50 da ATP.
Além da iniciativa das federações, o financiamento contínuo é a engrenagem que mantém essa máquina girando. Jovens como Flávia Cherobim (14 anos, de Curitiba, que também já disputou Wimbledon) e João Bonini (18 anos, de Londrina, que conquistou ouro no Pan-Americano Junior e disputou três Grand Slams) são frutos diretos de programas governamentais, como o Geração Olímpica e Paralímpica e o Proesporte. Esses subsídios garantem fôlego financeiro para que as famílias arquem com as dispendiosas viagens do circuito.
A trilha rumo à elite: como funciona a ponte para o circuito profissional
Estar em um Grand Slam Juvenil não é apenas uma experiência de intercâmbio; é o passaporte mais valioso para quem deseja construir uma carreira profissional no tênis. Os resultados nessas competições distribuem o maior volume de pontos do calendário da Federação Internacional de Tênis (ITF), catapultando o atleta no ranking mundial de base.
Para entender a dimensão dos desafios que a tenista de Palmas enfrentará, é fundamental conhecer o peso destas competições, que formam a espinha dorsal do esporte mundial:
Australian Open (Janeiro): Disputado em quadra dura, exige preparo físico extremo devido ao forte calor do verão australiano.
Roland Garros (Maio/Junho): O torneio de Paris é jogado no saibro (terra batida), onde a bola fica mais lenta e as trocas de passes são longas, exigindo máxima paciência e resistência tática.
Wimbledon (Julho): O mais antigo torneio do mundo, jogado em Londres. A grama natural faz a bola quicar rápido e baixo, favorecendo o jogo agressivo e o saque e voleio.
US Open (Agosto/Setembro): Realizado em Nova York, é o ápice das quadras duras, com partidas ágeis e um ambiente elétrico.
No Brasil, os exemplos recentes de transição bem-sucedida da base para o topo servem de bússola para Duda. João Fonseca, que faturou o US Open Juvenil em 2023, hoje aos 19 anos já coleciona títulos profissionais (ATP 250 e ATP 500) e desponta no cenário mundial.
No feminino, Beatriz Haddad Maia construiu seu alicerce em torneios de base até quebrar um jejum histórico de mais de 50 anos para o país ao alcançar a semifinal do Roland Garros profissional e consolidar-se no Top 10 global.
A jornada de Duda, de Palmas para Paris e Londres, é o novo capítulo de uma geração que já aprendeu a sonhar alto.
O que você precisa saber em resumo
- A paranaense Eduarda Gomes, de 13 anos e natural de Palmas, disputará os torneios juvenis de Roland Garros (maio) e Wimbledon (julho) em 2026.
- A vaga foi conquistada após ela quebrar o recorde de campeã mais jovem da história do Roland Garros Junior Series, sediado em São Paulo.
- O sucesso da atleta reflete a forte estruturação do tênis no Paraná, apoiado por competições da Federação e programas de bolsas esportivas do governo estadual.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria do Esporte do Paraná
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