(Foto: Steferson Faria)
Margem Equatorial: Petrobras descobre novo poço de gás em águas profundas
Descoberta no poço Sandia-1 amplia reservas para o país vizinho e serve como laboratório estratégico para os futuros passos da petroleira no litoral brasileiro.
A busca global por novas fontes de energia durante a fase de transição energética acaba de ganhar um novo capítulo. A Petrobras anunciou a descoberta de uma nova e promissora concentração de gás natural nas águas profundas do litoral colombiano. Para além do incremento imediato na segurança energética do país vizinho, o movimento reforça a estratégia de longo prazo da petroleira brasileira de explorar fronteiras inéditas para repor suas reservas.
O que a descoberta representa para o Brasil e para o mercado
Embora o gás encontrado na Bacia de Guajira seja destinado integralmente para suprir a alta demanda do mercado interno da Colômbia, a operação funciona como um termômetro vital para o Brasil. A região explorada faz parte da chamada Margem Equatorial — uma extensa e cobiçada faixa marítima que se estende até o litoral norte brasileiro e que vem sendo apelidada pelo setor de “novo pré-sal”.
A expertise adquirida operando o bloco colombiano pode acelerar os planos da estatal por aqui, num momento em que a Petrobras já obteve licenças ambientais do Ibama para iniciar pesquisas na porção brasileira dessa mesma margem, apesar das intensas preocupações de grupos ambientais sobre os possíveis impactos ecológicos.
Raio-x do novo poço e a operação em consórcio
A nova descoberta concentra-se no poço exploratório batizado de Sandia-1, situado no bloco GUA-OFF-0. A Petrobras já havia reportado o encontro do maior reservatório de gás da história da Colômbia nessa mesma bacia, evidenciando o altíssimo potencial geológico da área.
Confira os dados técnicos da operação:
Localização estratégica: O poço está a 42 quilômetros da costa colombiana e a cerca de 70,7 km da cidade de Santa Marta.
Profundidade: A perfuração atingiu uma lâmina d’água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 1.251 metros.
Proximidade com outros campos: Sandia-1 fica a apenas 18 km do poço Sirius-1 e a 9 km do Copoazu-1.
Cronograma: Os trabalhos começaram em 12 de junho e a profundidade final foi alcançada no dia 29 de julho.
A presença global e as estratégias da estatal
Na Colômbia, a Petrobras não atua sozinha. A operação é fruto de um consórcio com a Ecopetrol, a estatal colombiana, que detém a maioria da participação (55,56%). No entanto, a petroleira brasileira (com 44,44% de participação por meio da subsidiária PIB-COL) é a responsável direta por operar e conduzir a exploração.
“A descoberta reforça o potencial de gás no offshore colombiano, agregando volumes que irão contribuir para a segurança energética da região.” – Comunicado oficial da Petrobras
Essa parceria internacional ilustra o apetite da estatal por expansão global. Hoje, os negócios da companhia se estendem para além do eixo Brasil-Colômbia. Na África, há operações ativas na Namíbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul. Já nas Américas, a presença atinge a Bolívia, a Argentina e os Estados Unidos. O objetivo principal é manter a viabilidade do suprimento fóssil enquanto se financiam as tecnologias limpas da transição energética.
O que você precisa saber em resumo
- A Petrobras encontrou gás no poço Sandia-1, a 1.251 metros de profundidade no litoral da Colômbia.
- A operação é feita em consórcio com a Ecopetrol, com o gás destinado ao mercado interno colombiano.
- A exploração na Margem Equatorial ajuda a petroleira a ganhar experiência para futuras perfurações na área correspondente no Brasil, apelidada de “novo pré-sal”.

Com informações de Agência Brasil
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