Por Gustavo Rebouças – Sarcástico, direto e provocador.
Estamos vivendo a era do grito. A política se transformou em espetáculo, e a arena pública em um grande palanque digital. Deputados viraram influencers, prefeitos competem por viralizações, e ministros aparecem mais em podcasts do que em reuniões de trabalho. Parece que o verdadeiro projeto de governo é gerar buzz — não políticas públicas.
A polarização se transformou em produto. E como todo produto, ela precisa de consumidores. Os algoritmos alimentam a indignação, a indignação vira conteúdo, e o conteúdo vira capital político. Mas enquanto os discursos inflamados sobem o tom, as ações práticas desaparecem.
E o resultado? Gritam pelos “valores da família”, mas não têm coragem de enfrentar o abandono das creches. Disputam para ver quem “ama mais o Brasil”, mas deixam a saúde pública apodrecer nas filas. Falam de liberdade, mas legislam pela censura. É a política do símbolo: muita bandeira, pouca entrega.
O problema não é a paixão política. O problema é a substituição da ação pela performance. No teatro do populismo, todos são atores — e o povo, coadjuvante.
Gritar pode até render curtidas. Mas é no silêncio da responsabilidade que um país se constrói. E até onde eu sei, país nenhum se reconstrói com likes.
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