(Foto: Isabella Mayer)
SUS Curitiba usa busca ativa e devolve 3 mil pacientes crônicos aos postos
Centrais de cuidado contínuo monitoram 40 mil moradores para evitar interrupções no uso de medicamentos e exames
A Secretaria Municipal da Saúde localizou e reinseriu 3.014 pacientes com doenças crônicas nas rotinas de atendimento do SUS em Curitiba desde o início de 2025. As equipes das dez Centrais de Cuidado Contínuo analisam prontuários eletrônicos para identificar faltas em consultas, exames pendentes e receitas vencidas.
Profissionais de enfermagem e medicina entram em contato direto com os moradores por telefone para reorganizar as linhas de cuidado e evitar o agravamento de quadros de hipertensão e diabetes.
Na prática, o cidadão que perde o prazo de uma consulta ou esquece de renovar a medicação recebe uma ligação da equipe do seu distrito sanitário para reagendar o atendimento sem precisar ir ao posto de saúde.
A estratégia elimina a necessidade de entrar em filas presenciais apenas para atualizar encaminhamentos básicos. Após a teleconsulta, as receitas assinadas digitalmente vão direto para o aplicativo Saúde Já Curitiba, liberando a retirada imediata dos remédios nas farmácias da rede.
A capital paranaense possui uma população que envelhece em ritmo acelerado, ultrapassando a marca de 300 mil idosos segundo o último Censo do IBGE. Esse perfil demográfico pressiona a demanda por acompanhamento contínuo de doenças não transmissíveis, responsáveis pela maior parte das internações evitáveis na rede pública local.
O monitoramento ativo funciona como uma barreira preventiva estruturada, garantindo que o volume crescente de pacientes idosos ou com mobilidade reduzida mantenha o vínculo com a atenção primária.
Expansão do atendimento remoto
O projeto operou como um piloto a partir de março de 2025, restrito inicialmente aos bairros que compõem os distritos do Cajuru, Boa Vista, Matriz e Portão.
O modelo ganhou tração operacional e, nos últimos três meses, cobriu toda a extensão geográfica da cidade sob a Política Municipal de Saúde Digital coordenada pela Prefeitura de Curitiba. Atualmente, a estrutura monitora cerca de 40 mil usuários e funciona de forma totalmente integrada às 109 unidades básicas de saúde do município.

Monitoramento clínico com cruzamento de dados
A busca técnica começa por um painel de dados que aponta a ausência de registros recentes de pressão arterial, peso e acompanhamento médico dentro do e-Saúde. O coordenador médico das centrais, Rômulo Pereira, explica que a equipe técnica investiga o histórico clínico antes de acionar cada usuário.
O telefonema serve para marcar presencialmente eventuais exames pendentes e também recolher informações para a avaliação final via teleconsulta.
“As Centrais de Cuidado Contínuo fortalecem o vínculo com a Atenção Primária ao combinar tecnologia, busca ativa e o trabalho das equipes para manter o cuidado presente na vida dos cidadãos. O objetivo é simples: fazer com que a assistência aconteça no momento certo, evitando que pequenas pendências se transformem em problemas maiores“, explica a secretária municipal da saúde, Tatiane Filipak.
Adesão aos medicamentos contínuos
O aposentado Geraldo Alves da Costa, morador do São Braz, conseguiu restabelecer seu tratamento após o monitoramento da rede municipal.
Ele havia se distanciado da unidade União das Vilas, mas reorganizou o controle de suas taxas metabólicas ao receber uma ligação técnica da central do Distrito Sanitário Santa Felicidade. A intervenção rápida permitiu a atualização de suas prescrições e uma nova avaliação presencial imediata.
“Depois que atendi à ligação, voltei a fazer as consultas e renovar minhas receitas. Foi importante ter alguém entrando em contato para me orientar e ajudar a retomar o tratamento da minha saúde“, reconhece Geraldo.
Os profissionais de saúde conduzem as ligações para mapear sintomas secundários e confirmar a correta dosagem dos medicamentos nas residências.
A médica Laura Marques, lotada no Distrito Sanitário Tatuquara, confirma que o contato telefônico poupa deslocamentos desnecessários em horários comerciais. Quando o cidadão esbarra em dificuldades de mobilidade ou conflitos na rotina de trabalho, a equipe molda o atendimento para preservar a ingestão contínua dos remédios.
Etapas da linha de cuidado digital
A reinserção dos pacientes crônicos exige uma triagem sequencial de dados dentro do ecossistema municipal:
- Rastreamento inteligente via e-Saúde para encontrar guias vencidas e ausências não justificadas.
- Investigação individualizada do prontuário por enfermeiros e médicos escalados.
- Acionamento telefônico para repactuação de exames atrasados nas unidades de referência.
- Liberação de receitas digitais validadas via teleconsulta médica.
- Fornecimento regular de medicamentos para manutenção da saúde a longo prazo.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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