Estatal reforça estratégia de recomposição de reservas com achado na Bacia de Campos e marca retorno ao setor agroindustrial com a reativação das obras da UFN-III, no Mato Grosso do Sul, paralisadas há quase uma década.
A Petrobras iniciou a semana anunciando dois movimentos estratégicos de peso que ilustram o atual plano de negócios da companhia: a expansão de suas reservas de óleo e gás (focada na exploração) e o retorno robusto ao segmento industrial e de apoio ao agronegócio nacional.
Nesta segunda-feira (13), a estatal confirmou a descoberta de uma nova reserva de hidrocarbonetos no pré-sal do Sudeste e a aprovação, pelo Conselho de Administração, da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS).
Nova fronteira exploratória na Bacia de Campos
A nova descoberta petrolífera ocorreu no bloco exploratório C-M-477, localizado no Setor SC-AP4 da Bacia de Campos, a 201 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro. A perfuração do poço (batizado tecnicamente de 1-BRSA-1404DC-RJS) atingiu uma profundidade de água de impressionantes 2.984 metros.
“O intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado através de perfis elétricos, indícios de gás e amostragem de fluido”, explicou a Petrobras em nota. As amostras seguirão para análises laboratoriais para definir o tamanho da reserva e a viabilidade comercial da área.
O bloco foi arrematado na 16ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Petrobras é a operadora principal do consórcio, com 70% de participação, atuando em parceria com a petroleira britânica BP, que detém os 30% restantes. Segundo a estatal, o achado consolida a estratégia de recomposição de reservas em áreas de fronteira, garantindo a demanda energética durante o período de transição.
O gigante dos fertilizantes “acorda” no Centro-Oeste
Paralelamente à extração de petróleo, a Petrobras destravou um dos seus projetos industriais mais aguardados pelo agronegócio. O Conselho de Administração autorizou o aporte de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para a conclusão das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS).
O canteiro de obras estava paralisado desde 2015 e a sua reativação já estava prevista no Plano de Negócios 2026-2030. Com o sinal verde do Conselho, a expectativa é que os trabalhos de engenharia civil sejam retomados ainda neste primeiro semestre, com a operação comercial plena projetada para o ano de 2029.
Impacto no agronegócio: A retomada da UFN-III é crucial para reduzir a dependência brasileira da importação de insumos agrícolas. Quando finalizada, a planta industrial terá capacidade para produzir:
- Ureia: 3.600 toneladas por dia (o fertilizante nitrogenado mais demandado do Brasil, utilizado em plantações de milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além da suplementação animal).
- Amônia: 2.200 toneladas por dia, gerando um excedente de 180 toneladas diárias disponíveis para comercialização imediata no setor petroquímico.
A produção da megafábrica em Três Lagoas será escoada estrategicamente para abastecer os principais polos agropecuários do País: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.
Com informações de Agência Brasil
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