(Foto: Divulgação PMFI)
Férias de julho injetam ânimo no oeste paranaense e salvam semestre do turismo
Destinos paranaenses registram recordes históricos de visitantes e puxam a recuperação econômica do setor de serviços no estado após meses de retração.
A injeção direta de capital na economia do Paraná ganha força imediata quando o calendário aponta férias escolares ou feriados prolongados. Bares, restaurantes, aplicativos de transporte e toda a rede de hospitalidade registram picos de demanda que sustentam os caixas das empresas locais. Essa dinâmica traduziu-se em um crescimento de 6,7% no volume de atividades turísticas no estado durante o mês de julho, um avanço que representa mais que o dobro da média nacional de 2,7%.
Os dados integram o levantamento recente da Fecomércio PR, formulado a partir da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. O resultado interrompe uma sequência negativa que preocupava os empresários do setor. Anteriormente, o segmento amargou quedas consecutivas de 1,5% em maio e 5,3% em junho, fazendo das férias escolares o mês com o melhor desempenho desde o fechamento do ano anterior.

Foz do Iguaçu atinge capacidade máxima
O fenômeno de recuperação econômica reflete-se com precisão cirúrgica na região oeste. Foz do Iguaçu, consolidada como o principal portão de entrada de estrangeiros no Sul do Brasil, capitalizou a movimentação e alcançou 92% de ocupação média em seus leitos durante o feriado da Independência. A medição oficial da SMTU rastreou 101 dos 113 estabelecimentos regulares da cidade, garantindo alta confiabilidade estatística ao resultado.
Estabelecimentos focados em perfis mais familiares e intimistas, como as pousadas, bateram a marca de 100% de ocupação, esgotando totalmente a disponibilidade de reservas. A rede hoteleira tradicional operou com expressivos 91% de sua capacidade. O desempenho superou a projeção inicial do mercado, que aguardava 88% de lotação, e igualou o pico de movimentação registrado no feriado de Tiradentes.
“O resultado de 92% de ocupação mostra que Foz do Iguaçu segue entre os destinos mais procurados pelos brasileiros nos feriados. É um desempenho que reflete a atratividade do destino, mas também o trabalho contínuo de promoção, comercialização e estruturação do turismo.” – Jin Petrycoski, secretário municipal de Turismo.
Recorde absoluto nas cataratas
Antes mesmo do aquecimento gerado pelo feriado de setembro, o mês de julho já havia estabelecido um novo patamar histórico para o município. O Parque Nacional do Iguaçu contabilizou o acesso de exatas 263.150 pessoas em um único mês. Esse volume ultrapassa em 20% o público que circulou pelas passarelas do atrativo no mesmo período do ano passado.
Os viajantes domésticos lideraram a emissão de bilhetes, somando 174 mil entradas na unidade de conservação. A presença de turistas da Argentina ocupou a segunda colocação, com 50,4 mil visitantes cruzando a fronteira. Essa concentração massiva de pessoas aciona não apenas a bilheteria do parque, mas toda uma engrenagem de serviços periféricos que sustenta milhares de empregos diretos e indiretos no extremo oeste paranaense.
O desafio da desaceleração anual
Apesar das explosões localizadas de consumo que enchem os hotéis, o balanço de longo prazo exige cautela dos investidores locais e poder público. O histórico recente comprova uma curva ascendente nas datas festivas: no feriado da Independência de 2021, a média de ocupação foi de 65%, saltando para 91% em 2023 e consolidando os atuais 92%. Contudo, o desempenho fora da alta temporada ainda puxa os indicadores gerais para baixo.
O acumulado dos primeiros sete meses do ano aponta uma retração de 5,3% no volume de serviços turísticos no Paraná, quando comparado ao mesmo recorte do calendário anterior. No cenário brasileiro global, essa queda limitou-se a apenas 1%.
A assessoria econômica da Fecomércio PR vincula essa perda de tração estadual ao ritmo mais lento da expansão macroeconômica brasileira recente. Sem um fluxo contínuo de viagens corporativas e consumo regular ao longo das semanas úteis, a indústria do turismo passa a depender de forma quase exclusiva da sazonalidade dos feriados para equilibrar as contas e projetar novos investimentos.
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