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Prática do crochê no Memorial de Curitiba estimula saúde mental

Prática do crochê no Memorial de Curitiba estimula saúde mental

(Foto: Isabella Mayer)

Prática do crochê no Memorial de Curitiba estimula saúde mental


Prática artesanal ganha força como terapia preventiva e atrai caravanas para o centro histórico da capital paranaense

A movimentação repetitiva das agulhas e o entrelaçar dos fios ultrapassam a estética das peças de vestuário para atuar diretamente na cognição humana. O manuseio de linhas exige foco contínuo, estimula a coordenação motora fina e força o cérebro a criar conexões neurais que retardam o envelhecimento mental.

Esse impacto terapêutico tangível motivou o deslocamento de cerca de 500 praticantes para a região central de Curitiba durante a tarde de sexta-feira (11). O grupo ocupou o Memorial de Curitiba com o propósito de compartilhar técnicas, debater processos criativos e fortalecer laços comunitários.

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A sétima edição do Dia Mundial do Crochê demonstrou o fôlego da prática artesanal no ambiente urbano. O evento, estruturado pela ONG Lucianas e Marias em parceria com a Prefeitura de Curitiba, ofereceu um espaço de convivência que mesclou aprendizado técnico e suporte emocional. A programação gratuita permitiu o acesso democrático ao conhecimento, rompendo barreiras de idade e gênero entre os frequentadores.

Prevenção de doenças e equilíbrio emocional

Profissionais da área da saúde validam os efeitos práticos da atividade na rotina dos praticantes. A psicóloga Valeria Tomasoni, presente no encontro, atesta que o engajamento com o artesanato funciona como um exercício de resistência contra a degeneração cognitiva. A exigência de contagem de pontos e leitura de gráficos estimula áreas do cérebro responsáveis pela memória e planejamento estrutural.

O crochê é uma ferramenta fantástica de prevenção de doenças como o Alzheimer, trabalhando a nossa coordenação motora e criatividade.”

O perfil dos adeptos reflete uma diversificação do público tradicionalmente associado à técnica. O cabeleireiro e confeiteiro Maicon Fernandes Santos acompanhou Valeria ao encontro pela primeira vez, buscando um refúgio para a pressão da rotina de trabalho. O artesanato oferece uma válvula de escape para o estresse diário, além de resultar em presentes exclusivos para familiares. O aprendizado e a interação social serviram como um atrativo adicional para a permanência de Maicon no evento.

Prática do crochê no Memorial de Curitiba estimula saúde mental
(Foto: Isabella Mayer)

Superação pessoal e impacto social

A estruturação do encontro expõe um trabalho contínuo de base realizado por organizações não governamentais locais. Luciana Cortez, idealizadora do projeto, testemunha diariamente alterações drásticas na perspectiva de vida dos alunos que ingressam na técnica. O aprendizado de um novo ofício resgata a autoestima e insere o indivíduo em um ciclo produtivo e socialmente ativo.

Para exemplificar a eficácia dessa rede de apoio, Meire Cristina Santos relata sua trajetória de evolução dentro da entidade. A atual coordenadora da ONG iniciou sua vivência com as agulhas sem qualquer conhecimento prévio e hoje domina a produção em nível profissional. O progresso técnico caminhou lado a lado com a estabilização emocional.

Quando eu entrei na ONG eu não sabia nem o básico, e hoje já me considero profissional. O crochê foi muito importante para a minha saúde mental porque me mostrou como eu consigo superar desafios.”

O ganho de habilidades manuais transcende o passatempo e reverbera diretamente na qualidade de vida dos participantes. A consolidação desse ecossistema artesanal na cidade gera múltiplos desdobramentos práticos para os envolvidos:

  • Capacitação técnica: Oportunidade de aprender métodos complexos e leitura de receitas exclusivas.
  • Geração de renda: Criação de peças autorais para comercialização direta ou customização de itens de grife.
  • Fortalecimento cognitivo: Estímulo contínuo das funções executivas do cérebro.
  • Integração comunitária: Quebra do isolamento social por meio de encontros periódicos e interesses comuns.

Movimentação turística e aula prática no centro histórico

A atratividade do evento rompeu as fronteiras geográficas do estado, estimulando a vinda de praticantes de diferentes regiões. Um grupo formado por Juliana Ribeiro, Michele Tavares e Rosana Alves estruturou uma viagem expressa partindo de Joinville, Santa Catarina, apenas para integrar as atividades do dia. A presença de visitantes interestaduais reforça o potencial de encontros culturais específicos para a atração de um turismo de nicho para o comércio local.

Outro caso que ilustra o alcance do encontro é o de Maria do Socorro Borges da Silva, residente em Palmas, Tocantins. A turista aproveitou a estadia na cidade para participar da programação e destacou a dificuldade de encontrar ações gratuitas de proporção semelhante em outras localidades.

Durante a oficina, ela dividiu espaço com a professora de artes Ana Rita Bochnia, que utiliza a técnica para agregar valor a peças de vestuário de alto padrão. Ana Rita enxerga o encontro como uma passarela viva de produções autorais e compartilha ativamente sua expertise com iniciantes.

O cronograma de atividades culminou em uma aplicação prática conduzida por uma profissional do setor. Com o patrocínio da Supremo Fios, a crocheteira Sandra Brum assumiu o palco para ministrar uma aula coletiva de confecção de bolsas. A ação permitiu que dezenas de pessoas sincronizassem os movimentos das agulhas simultaneamente, materializando o conceito de comunidade de aprendizagem bem no coração do centro histórico.

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Prática do crochê no Memorial de Curitiba estimula saúde mental
(Foto: Isabella Mayer)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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