(Foto: Acervo pessoal)
O adeus ao “Mão Santa”: Brasil chora a perda e exalta o legado histórico de Oscar Schmidt
Maior pontuador olímpico da história e ídolo que redefiniu os limites do basquete faleceu aos 68 anos. O país acompanhou uma onda de homenagens de presidentes, clubes e projetos sociais que ele ajudou a erguer.
O basquete mundial perdeu, nesta sexta-feira (17), um de seus maiores arremessadores, e o Brasil se despediu de um de seus maiores ídolos. Aos 68 anos, o ex-jogador Oscar Daniel Bezerra Schmidt faleceu em Santana de Parnaíba (SP), após uma longa batalha de 15 anos contra um tumor cerebral.
A notícia de sua morte gerou uma comoção que transcendeu as quadras. Desde autoridades políticas até meninos de projetos sociais na periferia do Mato Grosso do Sul, o país se uniu para exaltar o legado de um atleta que, através de sua obstinação e talento, colocou o basquete nacional no mapa global.
Em respeito ao seu desejo, o “Mão Santa” foi cremado na noite de sexta-feira, em São Paulo, em uma cerimônia reservada apenas à família e amigos. Ele partiu vestindo a camisa da Seleção Brasileira de Basquete, seu maior orgulho e símbolo de sua trajetória inigualável.
Uma lenda em números absolutos
A Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e o Comitê Olímpico do Brasil (COB) divulgaram notas destacando a grandeza inquestionável de Oscar. O presidente do COB, Marco Antonio La Porta, lembrou que o Mão Santa foi o único atleta na história das Olimpíadas a ultrapassar a marca de 1.000 pontos (1.093 pontos no total, em cinco participações consecutivas nos Jogos).
O reconhecimento de Oscar quebrou barreiras. Ele foi incluído no Hall da Fama da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) e, de forma inédita, no Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado na liga norte-americana — uma honraria reservada apenas a figuras que transformaram a essência do jogo.
Ao longo de sua carreira por clubes na Itália e no Brasil, Oscar acumulou a absurda marca de 49.737 pontos, superando temporariamente até mesmo a lenda norte-americana Kareem Abdul-Jabbar.
Repercussão Nacional: clubes e autoridades
A perda do ídolo mobilizou o país:
- Flamengo: O clube rubro-negro, onde Oscar encerrou a carreira conquistando títulos entre 1999 e 2003, tomou uma decisão histórica: aposentou definitivamente a camisa 14 de sua equipe de basquete. “O eterno Mão Santa honrou o Manto Sagrado com sua genialidade, paixão e arremessos inesquecíveis”, diz a nota.
- Palmeiras e Corinthians: Rivais históricos se uniram no luto. O Palmeiras lembrou que Oscar estreou no clube em 1975, aos 17 anos. O Corinthians destacou que, sob a liderança de Oscar, o clube faturou seu último título nacional em 1996.
- Presidência da República: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou, afirmando que Oscar “uniu o país em torno das quadras, com arremessos inesquecíveis e liderança indiscutível”.
Os familiares do ídolo também usaram as redes sociais para agradecer. O filho Felipe Schmidt declarou: “Vou honrar tudo o que você me ensinou a ser como homem. Você foi um exemplo de vida”. Já o jornalista Tadeu Schmidt, irmão do atleta, resumiu a dor: “Minha maior referência! Maior exemplo de dedicação e amor à profissão!”
O legado vivo: o título de quem aprendeu com o Mão Santa
O impacto de Oscar Schmidt, porém, não reside apenas nas medalhas de bronze e nos recordes de pontos, mas nas vidas que ele tocou. A prova mais emocionante disso ocorreu na mesma sexta-feira (17) de sua morte, durante a final dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), em Brasília.
A equipe sub-18 de basquete do “Porãbask”, de Ponta Porã (MS), soube da morte do ídolo a dois minutos de entrar em quadra para a final. O projeto social que originou o time — antigamente conhecido como “Meninos do Terrão” por jogar em quadras de terra improvisadas na periferia — só ganhou um ginásio coberto graças ao financiamento e ao apelo em palestras feito pelo próprio Oscar Schmidt a partir de 2007.
Abalados, os garotos de Ponta Porã entraram em quadra e venceram São Paulo por 74 a 63, conquistando um título nacional inédito e garantindo vaga para o Mundial Escolar na Sérvia. O pivô Samuel Menezes, de 17 anos, cestinha da partida com 30 pontos, dedicou a vitória ao ídolo: “Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, sorriu o jovem, em meio às lágrimas da consagração.
Oscar se foi, mas a semente plantada por ele na periferia do Mato Grosso do Sul — e em todo o Brasil — provou que seu legado na quadra continuará rendendo frutos por gerações.

Com informações de Agência Brasil
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