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Relógio contra Trump: prazo para guerra sem aval do Congresso expira em 1º de maio em meio a ameaça de bloqueio global

Relógio contra Trump: prazo para guerra sem aval do Congresso expira em 1º de maio em meio a ameaça de bloqueio global

Sem autorização parlamentar, Casa Branca corre contra o tempo para justificar conflito no Oriente Médio. Enquanto a oposição tenta barrar a guerra e evoca a 25ª Emenda, Irã ameaça fechar o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, colocando em risco 25% do comércio mundial de petróleo.

A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã transformou o calendário no maior adversário do presidente Donald Trump. Faltando duas semanas para o dia 1º de maio, expira o prazo de 60 dias estabelecido pela Resolução dos Poderes de Guerra dos EUA (1973), que proíbe o Executivo de manter as Forças Armadas em conflito sem a aprovação formal do Congresso.

Historicamente, a Casa Branca utiliza brechas jurídicas para estender operações militares por mais 30 dias, alegando “necessidade militar inevitável”. No entanto, o custo político interno e o risco de um colapso no mercado global de energia tornam o cenário atual um campo minado para a administração republicana.

O cerco no Congresso e a sombra da 25ª Emenda

A falta de comprovação de um “risco iminente” contra os EUA (motivo oficial para o início da guerra) já provocou baixas no próprio governo, como a renúncia de Joe Kent, ex-chefe do antiterrorismo. No Capitólio, a oposição democrata tem travado uma batalha ferrenha para interromper o caos no Oriente Médio.

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Na última quarta-feira (15), o Senado derrubou uma nova resolução para barrar o conflito por uma margem estreita de 52 votos a 47. A senadora democrata Tammy Duckworth criticou duramente a base governista: “Esses covardes tiveram quatro chances de parar esse caos e colocaram o ego de Trump acima da América”.

Embora o partido continue blindando o presidente, a elevação do preço dos combustíveis e a rejeição da guerra por 60% dos norte-americanos começam a rachar os republicanos. O senador Mike Rounds (Dakota do Sul) exigiu que a Casa Branca apresente “uma descrição completa da situação e o plano” antes de qualquer tentativa de prorrogação do conflito.

A insatisfação popular transbordou para as ruas. Milhões de pessoas participaram dos protestos “Não ao Rei”, considerados a maior manifestação da história do país. Em Washington, ganha força nos bastidores a articulação para evocar a 25ª Emenda da Constituição, que permitiria declarar Trump “inapto” para o cargo — uma manobra que dependeria do apoio do vice-presidente, DJ Vance.

Para o brasileiro Rafael R. Ioris, professor de história e política da Universidade de Denver, a economia ditará os rumos do Salão Oval: “A guerra está preocupando os republicanos devido ao custo econômico. Mas a base trumpista é muito aguerrida. O desastre militar ou a inflação teriam que ser muito maiores para desgastar mais o Trump. Se ele conseguir vender que fez um acordo, as coisas voltam a uma normalidade”.

Xeque-mate marítimo: o risco de colapso no petróleo

Enquanto o cenário interno ferve, a tensão no Oriente Médio atingiu um ponto de não retorno. O bloqueio naval imposto pelos EUA aos portos iranianos gerou uma resposta imediata e devastadora de Teerã.

Na quarta-feira, o major-general Ali Abdollahi, comandante do Irã, declarou que a agressividade americana é uma violação do atual cessar-fogo provisório. Como retaliação, as Forças Armadas do Irã ameaçam bloquear totalmente a passagem de navios comerciais e petroleiros pelo Golfo Pérsico, Mar de Omã e Mar Vermelho.

O estrangulamento dessas vias aquáticas seria catastrófico. Somados, o Estreito de Ormuz e o Estreito de Bab el-Mandeb (no Mar Vermelho) são responsáveis pelo escoamento de 25% de todo o petróleo consumido no planeta, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

A frágil janela diplomática e o fator Israel

As próximas horas são decisivas. O frágil cessar-fogo de duas semanas entre Washington e Teerã termina na noite da próxima terça-feira (21). O Paquistão tenta mediar uma saída pacífica, e o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, esteve em Teerã com mensagens dos EUA.

Porém, as negociações esbarram em dois obstáculos gigantescos:

  1. O Programa Nuclear: O Irã recusa veementemente as exigências da Casa Branca para paralisar seu programa nuclear pacífico.
  2. A Guerra no Líbano: Teerã exige que o cessar-fogo seja estendido ao Líbano, onde Israel mantém ataques massivos na tentativa de ocupar o sul do país. Fontes indicam que uma pausa de uma semana no Líbano pode ser anunciada em breve, mas o Irã teme que o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, aja para sabotar o acordo.

Para complicar o xadrez geopolítico, o Conselho de Segurança da Rússia emitiu um alerta global, afirmando que os EUA e Israel podem estar usando o cessar-fogo apenas como uma “pausa operacional” para preparar o terreno e lançar uma ofensiva terrestre em larga escala contra o território iraniano.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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