(Foto: Michael Kappeler)
Trump rejeita controle global da IA na ONU e propõe novo nome
Presidente estadunidense descarta limites ao avanço tecnológico durante a 81ª Assembleia Geral
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vetou qualquer adesão do país a um modelo de regulação internacional para a Inteligência Artificial (IA). O posicionamento ocorreu nesta quarta-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Ele classificou as propostas de controle governamental compartilhado como um “esquema globalista” e prometeu acelerar o desenvolvimento tecnológico americano sem amarras externas.
A recusa oficializa uma barreira diplomática imediata para a criação de regras globais de segurança e uso ético de algoritmos. Na prática, isso significa que as empresas de tecnologia do país seguirão operando sob normas comerciais internas, sem prestar contas a um conselho transnacional, enquanto o resto do mundo tenta estabelecer um padrão para mitigar riscos de automação.
Disputa tecnológica com a China
A decisão acirra o conflito direto com a China pela liderança na infraestrutura do setor. Washington defende um ecossistema fechado com nações aliadas, operado exclusivamente por parceiros comerciais alinhados. Pequim lidera um movimento oposto, estimulando o uso de sistemas de código aberto para atrair governos, desenvolvedores independentes e nações em desenvolvimento.
O modelo aberto permite que organizações de diferentes portes modifiquem a tecnologia conforme suas necessidades estruturais. A tática asiática busca pulverizar a dependência global em relação às ferramentas fabricadas por empresas americanas.
Ettore Arpini, fundador da organização Plures, avalia que a postura da presidência isola o país dos esforços diplomáticos recentes:
“Isso é totalmente contrário ao movimento de outros países de formar uma aliança de potências médias para colaborarem, para trazerem de novo um multilateralismo e criarem um modelo de governança e de regulamentações internacionais para IA.”
Alertas financeiros e bolha no setor
O incentivo governamental à expansão irrestrita diverge de apelos da própria indústria de software. Executivos de tecnologia pediram recentemente uma desaceleração no treinamento de novos modelos de linguagem. Eles apontam que os algoritmos evoluem em uma velocidade muito superior à criação de travas de segurança e filtros de segurança da informação.
O mercado financeiro também emite sinais concretos de alerta. O Banco de Compensações Internacionais (BIS), instituição que atua como o banco central dos bancos centrais, publicou um informe indicando a formação de uma bolha de investimentos.
A corrida desenfreada eleva os custos operacionais da indústria, exigindo data centers maciços e consumo extremo de energia. O BIS alerta que as companhias direcionam recursos volumosos para projetos com rentabilidade incerta, o que torna o mercado vulnerável a decepções comerciais que podem impactar a economia em escala.
Mudança de nome para superinteligência
Trump usou o púlpito das Nações Unidas para anunciar uma alteração na nomenclatura da tecnologia dentro dos órgãos de governo. Ele determinou que a tecnologia passe a ser chamada oficialmente de “superinteligência”. A justificativa apresentada é que o termo “artificial” transmite a ideia de algo falsificado.
“Daqui para frente, será oficialmente chamada de superinteligência. Mudamos o nome porque o uso da palavra ‘artificial’ faz a inteligência parecer falsa.”
A alteração carrega um peso político focado na manutenção de uma narrativa de hegemonia americana. Arpini pontua que a nova palavra reforça a percepção de superioridade dos Estados Unidos na corrida tecnológica, mas desvia o foco das discussões sobre o nível de autonomia desses sistemas e quem responde pelos impactos causados à sociedade.
O cientista Miguel Nicolelis argumenta que atribuir o conceito de inteligência às máquinas funciona apenas como uma estratégia de marketing corporativo. O pesquisador alerta que os algoritmos processam dados e padrões matemáticos em larga escala, sem possuir capacidades cognitivas reais.
O uso de termos grandiosos, segundo especialistas, serve primordialmente para inflar o valor de mercado dos serviços oferecidos pelas corporações.
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Com informações de Agência Brasil
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