(Foto: Wenderson Araujo)
Safra de Trigo sofre com chuvas no Paraná e Deral confirma queda na qualidade
Qualidade do Trigo Despenca no Paraná e Deral Alerta para Perdas na Safra
A qualidade das lavouras de trigo no Paraná sofreu uma queda expressiva nesta última semana de setembro, com o volume de áreas classificadas como boas recuando de 75% para 64%. O levantamento oficial do Departamento de Economia Rural (Deral) confirma que o excesso de chuvas prejudicou o cereal exatamente enquanto a colheita atinge 46% do território estadual produtivo.
A deterioração do grão em campo afeta diretamente o custo da indústria de moagem e o bolso do consumidor. Com o aumento da oferta de trigo tipos 2 e 3 no mercado, os moinhos enfrentam escassez do produto tipo 1, padrão exigido para a fabricação de pão francês e massas brancas, cenário que pressiona rapidamente os custos finais da panificação nas padarias e supermercados.
Clima adverso e doenças derrubam expectativas no campo
O relatório do órgão estadual aponta que 60% das áreas ainda estão em fase de maturação. Esse estágio fisiológico exige tempo seco, mas o produtor paranaense lida com um padrão climático oposto. A alternância brusca entre períodos de alta umidade e sol forte quebrou o ritmo de desenvolvimento das plantas e abriu portas para problemas sanitários crônicos.
O peso das doenças fúngicas na lavoura
O clima úmido favoreceu o surgimento de doenças severas, como a brusone e a giberela, fungos agressivos que atacam diretamente a espiga. A presença desses patógenos destrói a qualidade industrial do grão, inviabilizando seu uso comercial para a alimentação humana e forçando o redirecionamento da carga para a fabricação de ração animal com forte deságio financeiro para o agricultor.
Produtividade abaixo do esperado nas primeiras áreas
Os efeitos tardios das geadas do inverno somam-se ao quadro atual de perdas. Lavouras que resistiram ao frio extremo agora sofrem com o acamamento provocado pelos ventos e chuvas recentes. A soma desses fatores climáticos faz com que os primeiros lotes colhidos apresentem baixo rendimento por hectare. A preocupação agora recai sobre os 29% das áreas em frutificação e 9% em floração, extratos altamente vulneráveis a novas precipitações.
Safra de verão avança nos intervalos secos
Enquanto a cultura de inverno tenta finalizar o ciclo produtivo, o plantio da safra de verão ganha velocidade sempre que o tempo permite a entrada do maquinário pesado. O milho de primeira safra já ocupa 56% da área projetada, com as plantas apresentando bom desenvolvimento vegetativo nos solos bem drenados.
A semeadura da soja atingiu 15% do total planejado, com agricultores esticando turnos de trabalho nas janelas de tempo firme. O plantio do feijão também avança e alcança 18% da área estadual. A estratégia atual nas fazendas do Paraná é garantir a implantação rápida das culturas de verão, aproveitando a umidade acumulada no solo, sem tirar os olhos do céu para tentar salvar o que resta da qualidade do trigo.
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Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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