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Argentina sob Milei: Inflação despenca, mas país perde 31 mil empresas e 245 mil empregos

Argentina sob Milei: Inflação despenca, mas país perde 31 mil empresas e 245 mil empregos

(Foto: Agustin Marcarian)

Argentina sob Milei: Inflação despenca, mas país perde 31 mil empresas e 245 mil empregos


O custo do ajuste fiscal recai sobre a indústria tradicional e converte postos formais em trabalho autônomo precarizado

Trabalhadores que antes ocupavam postos formais em fábricas com décadas de história agora buscam sustento no trabalho autônomo. O cenário econômico argentino apresenta um contraste numérico agudo. Enquanto os índices de inflação despencam mês a mês, a base produtiva do país encolhe em ritmo acelerado sob o peso do ajuste fiscal.

Nos primeiros 31 meses da atual administração, iniciada em novembro de 2023, o país registrou o encerramento das atividades de 31,3 mil companhias. Esse volume de falências representa 6,1% do total de empresas registradas no território nacional. A destruição do tecido corporativo afeta a rotina de milhares de famílias que dependiam da estabilidade da carteira assinada.

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O volume de fechamentos atuais já se equipara aos níveis críticos registrados durante a crise sanitária global. Um levantamento detalhado do centro de pesquisas Fundar indica que o saldo negativo atinge 23 das 24 províncias argentinas. A única exceção no mapa de retração econômica é Neuquém, impulsionada exclusivamente pelas operações de extração de gás natural na bacia de Vaca Muerta.

Desindustrialização atinge empresas com meio século de operação

A retração econômica não poupa estruturas consolidadas e afeta desde setores de ponta até a manufatura tradicional. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) apontam uma queda de 2,6% na indústria geral em um período de 12 meses, encerrado em julho de 2026. O segmento de equipamentos eletrônicos e médicos lidera as perdas, com um tombo abrupto de 19,1% no mesmo intervalo.

Apenas no último mês, 709 empregadores fecharam as portas definitivamente. Entre as baixas contábeis constam corporações com mais de 50 anos de mercado e profundo enraizamento regional. Casos emblemáticos incluem a metalúrgica Din S.A. e a tradicional marca têxtil Clan Issime. A derrocada dessas companhias ilustra a asfixia financeira enfrentada pelo setor produtivo.

“chegou a ter 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados; no momento do fechamento, restavam 9 trabalhadores na fábrica”

Transição acelerada para o mercado de trabalho informal

O impacto direto dessa desindustrialização recai de forma pesada sobre o mercado de trabalho. Entre novembro de 2023 e junho de 2024, desapareceram 245,6 mil vagas privadas com registro formal. Esse número equivale a uma queda de 3,9% da força de trabalho protegida, segundo os cálculos do Centro de Economia Política Argentina (Cepa).

Essa perda expressiva encontrou uma compensação estatística precária no salto do trabalho autônomo. Cerca de 169 mil pessoas ingressaram em atividades independentes no mesmo período, gerando um crescimento de 8,3% nesse perfil de ocupação. Na prática, a economia substitui salários fixos e benefícios por bicos e atividades sem qualquer rede de proteção social.

Esse movimento de precarização empurrou a taxa de desemprego oficial para 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026. O índice representa um avanço de 0,3 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O dilema entre a âncora cambial e a recessão produtiva

O governo sustenta sua narrativa de sucesso econômico ancorado na queda vertical da inflação. O índice anualizado, que atingiu o pico de 289% em abril de 2024, recuou fortemente para 33,5% em agosto de 2026. Essa estabilização de preços, no entanto, opera sob engrenagens que penalizam a atividade manufatureira local.

A manutenção de uma moeda artificialmente sobrevalorizada funciona como âncora para segurar os preços internos, mas encarece e retira a competitividade das exportações industriais argentinas. O cenário produtivo se agrava com os severos cortes de gastos públicos implementados pela Casa Rosada. Além disso, a economia opera sob a pressão constante de uma dívida externa de 350 bilhões de dólares, atrelada aos pesados compromissos com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Pressão internacional e a defesa das políticas de austeridade

A estratégia de choque econômico atrai alertas até mesmo de publicações historicamente alinhadas a pautas de austeridade e desregulamentação. A revista britânica The Economist publicou um editorial recente apontando o derretimento contínuo dos salários reais e a extinção sistemática de empregos formais no país sul-americano. A publicação cobrou menos estridência política e foco urgente na retomada do crescimento.

Em resposta às críticas, o presidente Javier Milei utiliza a recuperação do Produto Interno Bruto para chancelar a rota de sua administração. Após a economia encolher 1,3% em 2024, o PIB argentino registrou um avanço de 4,4% em 2025. Durante uma conferência em agosto, o chefe do executivo rejeitou categoricamente as análises de colapso sistêmico.

“Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando, e o desemprego não está disparando.”

O presidente mantém a retórica de confronto direto contra o empresariado que operava sob subsídios. Em suas declarações recentes, ele reforçou que os chamados capitalistas de compadrio precisam inevitavelmente falir para que a economia alcance um nível real de maturidade e competitividade internacional.

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Argentina sob Milei: Inflação despenca, mas país perde 31 mil empresas e 245 mil empregos
(Foto: Agustin Marcarian)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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