Publicidade
Publicidade
Publicidade

Deepfakes substituem fake news e dominam eleições de 2026

Deepfakes substituem fake news e dominam eleições de 2026

(Foto: Canva)

Deepfakes substituem fake news e dominam eleições de 2026


O uso de inteligência artificial sem identificação supera textos enganosos e vira a principal fraude da campanha deste ano.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional para barrar a disseminação de vídeos manipulados por inteligência artificial nas eleições. A corte eleitoral identificou que as montagens visuais de alta qualidade substituíram as tradicionais mensagens de texto como a principal ameaça à escolha livre nas urnas.

A decisão afeta diretamente as campanhas no Paraná, onde o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) segue as novas diretrizes para fiscalizar o conteúdo disparado aos eleitores do estado. O controle rigoroso visa impedir que candidatos a governador e deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Paraná utilizem áudios clonados ou imagens falsas para atacar adversários nos aplicativos de mensagens fechadas.

Publicidade

A evolução da mentira digital nas campanhas

O Comitê Gestor da Internet no Brasil publicou o Guia Internet, Democracia e Eleições e apontou uma mudança radical no comportamento das campanhas desde 2018. Naquela época, o terreno principal para a disseminação de mentiras eram as redes sociais abertas. Agora, o foco migrou para ambientes restritos, como o WhatsApp, onde o rastreamento do material fraudulento encontra barreiras técnicas e legais.

O formato também mudou drasticamente nestes últimos anos. A inteligência artificial generativa permite criar vídeos extremamente realistas em poucos minutos, material que circula acompanhado de textos curtos para dar ares de reportagem verdadeira ao conteúdo fabricado. Instituições de monitoramento global já classificam essa tática como um risco severo para as democracias no curtíssimo prazo.

Operação e regras do conselho eleitoral

O conselho recém-criado pelo TSE funcionará sob o comando do ministro Kassio Nunes Marques e terá reuniões mensais até o fim do ano. O grupo reúne especialistas em tecnologia da informação, segurança pública e relações internacionais para mapear as novas táticas de fraude digital.

A corte já proibiu expressamente que os provedores de inteligência artificial ofereçam sugestões de voto aos usuários, bloqueando a interferência direta dos algoritmos. As plataformas digitais assumem agora o risco de punições judiciais severas caso não removam postagens criminosas e perfis de fachada com agilidade.

O cenário de fiscalização nos municípios paranaenses

As diretrizes de Brasília chegam com força aos municípios paranaenses, onde as campanhas locais frequentemente adaptam táticas nacionais de ataque. A fiscalização em cidades do interior do Paraná apresenta um desafio extra para a Justiça Eleitoral. Grupos de mensagens de bairros e associações operam longe do escrutínio público imediato e facilitam a ocultação da origem do material criminoso.

Para conter o avanço, o TRE-PR mantém canais abertos para receber denúncias sobre montagens enviadas em massa. A legislação eleitoral obriga que todo conteúdo criado por computador contenha um aviso claro sobre o uso de inteligência artificial. Candidatos que descumprirem essa regra correm o risco real de perder o registro da chapa antes mesmo da votação.

Volume de publicações irregulares sem aviso

O cumprimento das regras ainda enfrenta resistência na prática diária das redes sociais no país. Um estudo conduzido pelo Observatório IA nas eleições revelou que quase dois em cada três conteúdos políticos gerados por computador circulam sem a devida sinalização exigida por lei.

Os pesquisadores avaliaram mais de 400 publicações e descobriram que a ampla maioria parte de perfis anônimos. Cerca de 60% desse material tenta se passar por sátira para ridicularizar figuras públicas, enquanto o restante opera como desinformação direta. A própria plataforma de tecnologia demonstra lentidão para aplicar suas ferramentas internas de moderação.

Deepfakes substituem fake news e dominam eleições de 2026
(Foto: Rovena Rosa)

Alvos políticos e os números do uso de tecnologia

A tática de distorcer rostos e vozes concentra seus ataques iniciais em nomes de peso da política nacional, criando um modelo que depois desce para os estados. O levantamento do observatório aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a vítima mais frequente, figurando em mais de 100 publicações adulteradas. O senador Flávio Bolsonaro aparece como alvo em dezenas de montagens, mas o parlamentar também lidera a lista de políticos que compartilharam conteúdos alterados em seus perfis.

A circulação massiva desse tipo de arquivo cria um clima de desconfiança generalizada entre a população. O eleitor passa a questionar até mesmo vídeos e áudios verdadeiros apresentados no horário eleitoral. O guia do Comitê Gestor da Internet alerta que essa perda de confiança nas instituições leva as pessoas a consumirem apenas os conteúdos que confirmam suas crenças anteriores.

Comunidades religiosas se unem contra fraudes

A circulação de material falso encontra terreno fértil dentro de grupos que compartilham alta confiança mútua. As comunidades de fé tornaram-se alvos preferenciais para disparos em massa justamente pela rapidez com que as mensagens circulam entre os membros de uma mesma congregação.

Em resposta a essa contaminação de seus espaços, entidades ecumênicas lançaram a campanha nacional Boto Fé no Voto para blindar as igrejas contra a manipulação. Os organizadores reconhecem que os templos exercem um papel estratégico na comunicação diária dos fiéis. O projeto tenta romper a dinâmica de repasse automático de mensagens chocantes que exploram a sensibilidade religiosa.

Ações educativas e combate ao repasse ingênuo

O esforço das entidades religiosas inclui a criação de rodas de diálogo, produção de podcasts e distribuição de material educativo para celulares. A campanha foca no eleitor que compartilha a mentira acreditando estar alertando seus conhecidos sobre um perigo real de forma ingênua. A diretora da Coordenadoria Ecumênica de Serviço, Sônia Mota, atua diretamente nesse treinamento para identificar manipulações.

“Partimos do entendimento de que fé e cidadania caminham juntas quando são vividas com responsabilidade, com compromisso, com verdade, com respeito ao próximo.”

O trabalho tenta desconstruir a ideia de que tudo que chega via aplicativo possui credibilidade apenas por ter sido enviado por um conhecido. A iniciativa aposta na conscientização como ferramenta primária antes do voto.

O papel das plataformas e a regulação necessária

A regulação das redes sociais exige ações mais definitivas, como defendem pesquisadoras da área de direitos digitais. Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), e Larissa Santiago, cofundadora da plataforma Blogueiras Negras, apontam que o modelo atual entrega o fluxo de informação a corporações estrangeiras movidas por metas financeiras.

O cidadão perde a capacidade de recusar o consumo de pautas moldadas pelos algoritmos de recomendação. Segundo Fernanda Rodrigues, os usuários precisam ter o direito de rejeitar os conteúdos padronizados que invadem seus celulares.

“É preciso uma regulação mínima que assegure que as pessoas possam optar por não receber conteúdos padronizados e que assegure que os mecanismos de recomendação não tenham vieses discriminatórios.”

As grandes empresas de tecnologia monopolizam hoje o debate sobre o uso da inteligência artificial. Larissa Santiago ressalta que imagens e notícias distorcidas já circularam com força durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ainda em 2016.

A diferença é que a tecnologia atual de geração de imagens potencializa a violência política de gênero e raça de forma muito mais rápida. A resposta para esse cenário de ataques contra candidatas exige o aumento da fiscalização pelas autoridades eleitorais e investimentos sérios em educação midiática para a população.

Deepfakes substituem fake news e dominam eleições de 2026
(Foto: Paulo Pinto)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *