(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)
O futuro de Petrobras e Correios nas propostas de Lula e Flávio
Planos de governo para este domingo (25) apresentam visões opostas sobre o futuro de empresas públicas e serviços digitais no Brasil.
Os eleitores brasileiros definem neste domingo (25) o rumo da máquina pública federal no segundo turno da eleição presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva foca no fortalecimento das empresas estatais e no controle de gastos, enquanto Flávio Bolsonaro aposta na retomada das privatizações e na redução drástica da estrutura governamental.
As propostas indicam caminhos radicalmente distintos para a gestão de ativos e serviços prestados à população nos próximos anos.
No Paraná, o debate reflete diretamente no futuro de estruturas federais presentes no estado e dialoga com o cenário local de desestatizações recentes.
O modelo escolhido em Brasília impacta investimentos em infraestrutura logística, políticas de preços de combustíveis nas refinarias e a oferta de serviços em cidades que dependem do braço estatal. O eleitor paranaense acompanha essas diretrizes após vivenciar processos como a venda da Copel na esfera estadual, moldando a percepção sobre o papel do Estado na economia.
Fortalecimento estatal e infraestrutura digital
O programa de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, barra a desestatização de companhias como Petrobras, Embrapa e Correios.
A estratégia posiciona essas empresas como ferramentas de indução do desenvolvimento econômico e garantidoras da soberania nacional. O plano prioriza parcerias com o setor privado e a recuperação financeira das estatais, sem abrir mão do controle acionário.
O atual presidente também propõe a universalização dos serviços públicos digitais. A medida visa expandir plataformas como o Gov.br, que hoje centraliza mais de 5 mil serviços federais, buscando maior eficiência no atendimento ao cidadão.
O documento sugere ainda a ampliação do Repetro, regime fiscal voltado à cadeia de óleo e gás, visando adequá-lo às necessidades de descarbonização e transição energética.
“Defendemos ainda que a Petrobras continue também a orientar para a transição energética, alinhados ao Acordo de Paris e NDC brasileira, com investimentos em fontes de baixo carbono e redução efetiva de emissões operacionais.”
Reforma administrativa e venda de ativos
Do outro lado, Flávio Bolsonaro estrutura seu plano em um enxugamento da máquina pública, prometendo um “corte profundo”. A proposta prevê a retomada do Programa Nacional de Desestatização, que na gestão de Jair Bolsonaro resultou na venda da Eletrobras e no fechamento da Ceitec. O objetivo declarado é vender ativos não estratégicos para atrair capital privado e abater o endividamento do país.
A campanha do PL também defende a limitação de gastos operacionais e a redução do número de ministérios. Há uma diretriz para desregulamentar regras trabalhistas, tributárias e previdenciárias infralegais, buscando desonerar o setor produtivo. Na área de tecnologia, a plataforma propõe avançar na digitalização para criar um Estado menos custoso e devolver tempo aos cidadãos no balcão de atendimento.
Histórico recente de gestões opostas
Durante a presidência de Jair Bolsonaro, o governo federal privatizou 76 empresas públicas, incluindo subsidiárias e estruturas únicas. A negociação da Eletrobras, em junho de 2022, movimentou R$ 33,7 bilhões, transferindo o controle da maior geradora de energia da América Latina para a iniciativa privada. Ativos como a BR Distribuidora e a Refinaria Landulpho Alves também foram repassados, enquanto outras estatais permaneceram no radar da extinta Secretaria de Privatizações.
Lula paralisou a fila de desestatizações ao assumir seu terceiro mandato, mantendo o discurso de rentabilidade das empresas públicas. A gestão petista prioriza o modelo de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) para a área de infraestrutura, como rodovias e aeroportos, em vez da venda definitiva do patrimônio. O debate atual coloca esses dois modelos em plebiscito nas urnas.
A íntegra dos planos de governo dos candidatos pode ser consultada nos documentos oficiais protocolados no TSE.
O material de Flávio Bolsonaro está disponível no site oficial da corte https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pl/@@display-file/file/proposta-pl.pdf
O programa de Luiz Inácio Lula da Silva https://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2026-content/arquivos/proposta-pt/@@display-file/file/proposta-pt.pdf

Esportes
Planos de governo mostram visões opostas sobre infraestrutura, papel das mulheres e participação da iniciativa privada
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam projetos antagônicos para o esporte nacional no segundo turno das eleições presidenciais. As diferenças centrais envolvem a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, a continuidade do programa Bolsa Atleta e os modelos de gestão de infraestrutura esportiva.
No Paraná, o resultado das urnas define o formato de financiamento para atletas locais e a administração de espaços públicos. O plano petista foca em repasses diretos e gestão pública, enquanto a proposta do PL aposta em parcerias público-privadas que alteram a captação de recursos por clubes e escolas estaduais.
Futebol feminino e Copa do Mundo de 2027
A candidatura de Lula destaca as mulheres como protagonistas e promete investimentos estruturais para as oito capitais brasileiras sedes da Copa do Mundo de 2027. A medida mobiliza diretamente a rede hoteleira e turística de Curitiba, tradicional candidata a receber os jogos de grande porte.
Flávio Bolsonaro omite o evento mundial em seu plano de governo, mesmo sendo a primeira vez que o torneio ocorrerá na América do Sul. A única menção do candidato do PL ao esporte feminino trata da exclusão de atletas transexuais das competições oficiais.
Educação, juventude e Bolsa Atleta
Flávio Bolsonaro ignora o Bolsa Atleta, que atingiu o recorde de 11 mil contemplados no último ciclo. O candidato propõe aperfeiçoar bolsas esportivas de alto rendimento de forma exclusiva via iniciativa privada.
O plano do PL também cria o programa Escola nas Férias para manter os alunos ocupados durante os recessos. A estratégia prevê o uso da infraestrutura das escolas para fomentar times competitivos e evitar a evasão escolar.
“O esporte é uma das ferramentas mais poderosas que existem para formar um jovem, e uma das mais desperdiçadas pelo poder público. Ele ensina disciplina, resiliência, trabalho em equipe e mérito, tira a criança da rua e do celular, dá saúde ao corpo e à mente e, para alguns, abre a porta de uma profissão.”
Lula desvincula o esporte do espaço escolar tradicional e foca na criação da Universidade do Esporte, instituição de ensino superior já aprovada na Câmara dos Deputados. O projeto petista enxerga o setor como indústria criativa e força estratégica para a economia nacional.
Modelos de gestão e equipamentos esportivos
O candidato do PT planeja expandir as unidades do Arena Brasil por meio do Novo PAC. A proposta defende a gestão direta dos equipamentos esportivos em parceria com estados, municípios e organizações não governamentais.
Lula assume uma postura restritiva quanto a privatizações no setor esportivo. A prioridade estabelecida no plano de governo é manter o controle estatal e social sobre os centros construídos recentemente.
Flávio Bolsonaro direciona a gestão do alto rendimento para o mercado. O programa prevê a integração de confederações com clubes e universidades particulares para financiar o desenvolvimento técnico e científico dos atletas por meio de editais.
| Tema | Flávio Bolsonaro (PL) | Luiz Inácio Lula da Silva (PT) |
| Esporte Feminino | Foco na proibição de atletas trans. Ignora a Copa do Mundo de 2027. | Protagonismo feminino e investimento estrutural nas capitais sedes da Copa de 2027. |
| Financiamento | Fim da menção ao Bolsa Atleta; prioriza bolsas financiadas por empresas. | Manutenção de políticas federais e repasses via PNEsporte. |
| Educação | Criação do “Escola nas Férias” e PPPs para uso de quadras escolares. | Criação da Universidade do Esporte para formação de gestores e tecnologia. |
| Infraestrutura | Parcerias com a iniciativa privada para gestão e fomento. | Gestão direta com estados e municípios; expansão das unidades Arena Brasil. |

Direitos Humanos
Planos de governo divergem entre fortalecimento de políticas públicas e endurecimento de penas no sistema prisional
Os eleitores do Paraná e de todo o país definem o futuro das políticas de direitos humanos e segurança pública neste segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) baseia seu programa na ampliação de políticas públicas e no enfraquecimento financeiro das facções criminosas. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta no recrudescimento penal, com a construção de complexos de segurança máxima e a redução da maioridade penal.
O modelo vencedor ditará o repasse de verbas federais para a segurança pública local e impactará o dia a dia das forças policiais paranaenses.
A aplicação dessas diretrizes altera desde o patrulhamento preventivo feito pela Polícia Militar do Paraná nas ruas de Curitiba até as operações de combate ao contrabando na fronteira em Foz do Iguaçu. O direcionamento carcerário também afetará diretamente a lotação e a gestão das unidades administradas pelo Departamento de Polícia Penal do Paraná (Deppen).
O programa “Para o Brasil Vencer o Atraso”, de Flávio Bolsonaro, prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto estabelece a punição de jovens a partir dos 14 anos envolvidos em crimes graves, como homicídio e tráfico de drogas.
O plano sugere a criação do Complexo Federal de Segurança Máxima (TREVA), espelhado no modelo prisional de El Salvador, e a abertura de 500 mil novas vagas carcerárias em parceria com os estados.
O “Programa de Transformação do Brasil”, encabeçado por Lula, aborda a criminalidade por meio de investimentos em tecnologia e controle. A proposta inclui o cumprimento das metas do Plano Pena Justa, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que visa eliminar a superlotação e garantir acesso à educação e trabalho aos detentos.
O documento foca no uso de câmeras corporais por policiais e prevê a criação de um Ministério da Segurança Pública para integrar dados e ações nacionais.
Abordagem sobre a violência contra a mulher
Os dois candidatos apresentam soluções distintas para o combate ao feminicídio. Flávio Bolsonaro defende uma política de tolerância zero, exigindo o cumprimento integral da pena por assassinos e o monitoramento de agressores via tornozeleira eletrônica.
O plano do PL estabelece a implementação da castração química para condenados por crimes sexuais contra mulheres e menores, além de propor a unificação de canais de denúncia e a entrega de voucher-creche para uso na rede privada.
Lula concentra suas propostas na manutenção do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e na expansão do monitoramento de agressores aliado à capacitação policial. A campanha petista planeja assegurar o cumprimento da Lei de Igualdade Salarial, investir na construção de creches públicas e fomentar o programa Periferia Viva.
Análise técnica das propostas e do histórico político
A efetividade das propostas de segurança divide especialistas. A diretora executiva da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, orienta o eleitorado a avaliar o histórico dos candidatos em cargos públicos para medir o impacto real das promessas.
Projetos apoiados por Flávio no passado, como a eliminação da exigência de identificação de cartuchos de munição em 2019, levantaram debates sobre o controle do armamento legal e ilegal.
“Ao contrário do que muitos candidatos de extrema-direita pelo mundo afora querem fazer parecer, o endurecimento de penas não é o que efetivamente combate o crime. É algo já provado por estudos feitos em todo o mundo.”
A organização aponta que o Brasil já possui mais de 900 mil pessoas presas sem apresentar queda proporcional nos índices de criminalidade. O uso de inteligência artificial e a desarticulação financeira do crime organizado demonstram resultados mais robustos do que a simples construção de presídios ou o aumento do policiamento ostensivo sem planejamento.
Tabela comparativa de planos de governo
| Tema | Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
| Segurança Pública | Criação do Ministério da Segurança, foco na asfixia financeira de facções e uso de câmeras corporais. | Reconhecimento facial nacional, fim da progressão de regime para crimes hediondos e penas maiores para furto de celulares. |
| Sistema Prisional | Cumprimento do Plano Pena Justa e criação do Pacto Nacional de Execução Penal para gestão padronizada. | Criação de cinco presídios espelhados no modelo de El Salvador e abertura de 500 mil novas vagas prisionais. |
| Violência contra a Mulher | Manutenção do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio e capacitação contínua das forças de segurança. | Castração química para criminosos sexuais, tornozeleira para agressores e unificação do Ligue 180 em app único. |
| Maioridade Penal | Manutenção da legislação atual, com aplicação das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). | Redução para 16 anos e punição a partir de 14 anos para infrações graves. |
| Minorias e Povos Tradicionais | Demarcação de terras, cotas raciais, Universidade Indígena e respeito aos modos de vida originários. | Autonomia produtiva das comunidades tradicionais nas terras com previsão de compensação financeira. |

Meio Ambiente
Visões opostas sobre a crise climática definem as agendas ambientais dos candidatos à presidência
Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam estratégias opostas para a gestão ambiental do Brasil na disputa do segundo turno.
O atual presidente trata o clima como uma emergência central de governo, registrando 38 menções ao tema em seu plano de ação, com foco em contenção de danos e adaptação estrutural. O candidato do PL aborda o setor primordialmente como um ativo econômico voltado à geração de riqueza e bioeconomia, citando eventos climáticos extremos uma única vez em seu documento oficial.
O resultado das urnas define o direcionamento de políticas hídricas, agrícolas e de infraestrutura com impacto prático na economia estadual. Mudanças nas regras do Cadastro Ambiental Rural, na regulação de pagamentos por serviços ambientais e na proteção de nascentes afetam diretamente o agronegócio paranaense e a capacidade de fornecimento das bacias que abastecem operações da Copel e da Sanepar.
Emergência climática contra exploração econômica
O programa de Lula propõe estruturar projetos regionais de mitigação e expandir fontes de financiamento público. As ações priorizam a revitalização de bacias hidrográficas, obras de contenção de encostas e implementação de drenagem sustentável nos centros urbanos.
A proteção de mananciais atende a uma vulnerabilidade histórica de municípios ao redor de Curitiba, que enfrentaram rodízios severos de abastecimento nos últimos anos devido a secas prolongadas.
Flávio estrutura sua proposta na transformação da floresta preservada em mercado de carbono e biotecnologia. O documento prevê o fortalecimento da Defesa Civil e a construção de barragens de múltiplos usos, reservatórios de controle de cheias e canais de drenagem.
A ampliação da infraestrutura hídrica mira as demandas do setor produtivo do interior, frequentemente penalizado por quebras de safra derivadas da estiagem.
Metas de desmatamento e regulação fundiária
O candidato do PT estabelece a meta de desmatamento zero até 2030, apoiada no fortalecimento do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica. O plano exige a aplicação do manejo integrado do fogo e a retomada da destinação de terras públicas para unidades de conservação, territórios indígenas e quilombolas. A estratégia também prevê o avanço da regularização fundiária.
O projeto do PL estipula zerar exclusivamente o desmatamento ilegal até 2029 por meio de fiscalização e combate a crimes ambientais. Flávio sugere eliminar sobreposições de funções entre órgãos como Ibama, Funai e ICMBio, embora não detalhe no documento quais seriam essas redundâncias administrativas.
Ele defende a autonomia produtiva para povos indígenas e quilombolas em suas terras, estabelecendo mecanismos de compensação para quem já ocupa e produz nestes territórios.
Tabela comparativa: Planos de governo para o Meio Ambiente
| Eixo Temático | Luiz Inácio Lula da Silva (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
| Foco Principal | Emergência climática, mitigação e adaptação. | Ativo estratégico, bioeconomia e mercado de carbono. |
| Desmatamento | Zero desmatamento (geral) até 2030. | Zero desmatamento ilegal até 2029. |
| Infraestrutura | Revitalização de bacias, contenção de encostas e drenagem verde. | Barragens, reservatórios de cheias e obras de drenagem convencionais. |
| Terras Tradicionais | Destinação de terras públicas e regularização fundiária. | Autonomia produtiva, mineração/agronegócio com compensações. |
| Órgãos Ambientais | Fortalecimento do controle e do Código Florestal. | Eliminação de “superposições” entre Ibama, Funai e ICMBio. |
Retrospecto das políticas ambientais
O histórico dos grupos políticos baliza a viabilidade das propostas atuais. Governos anteriores do PT criaram 231 unidades de conservação, destinaram R$ 19,7 bilhões aos órgãos de fiscalização e desenvolveram 16 planos de adaptação climática. Entidades ambientalistas, contudo, cobram o atual apoio de Lula à exploração de petróleo na Foz do Amazonas e apontam morosidade nas demarcações de terras conduzidas pelo Ministério da Justiça.
A gestão de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, transferiu R$ 7,4 bilhões para a fiscalização entre 2019 e 2022 e paralisou os repasses de fundos ambientais para novos projetos. O período registrou aumento nas emissões de gases estufa e um desmatamento de 45.612 km² na Amazônia, sem nenhuma demarcação de terra indígena homologada. A política da época sofreu forte desgaste após o ex-ministro Ricardo Salles propor a simplificação de normas regulatórias durante a pandemia de covid-19.
“Então é hora de juntar as forças de todos os ministérios aqui e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas.”
A declaração evidenciou a estratégia do governo de flexibilizar a legislação ambiental via decretos e portarias, evitando a apreciação dos parlamentares no Congresso Nacional.
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Com informações de Agência Brasil
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